Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 17/11/2020
Solidariedade. Ato de amor. Gesto que pode salvar vidas. Esses são os contornos que caracterizam a doação de órgãos, um gesto nobre a ser incentivado no Brasil, uma vez que se torna evidente a escassez de doares de órgãos, acrescendo a quantidade de receptores brasileiros na fila de espera. Nesse viés, observa-se a necessidade de promover melhorias no que tange à questão da doação de órgãos, um cenário desafiador influenciado pelo individualismo, além de uma base educacional lacunar.
Mormente, o individualismo caracteriza-se como um complexo dificultador. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. Nesse contexto, a tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira no que se infere a escassez de doadores de órgãos, um problema estimulado pela população a qual não exerce a empatia para doar ou divulgar a importância da doação de órgãos. Essa liquidez da comunidade funciona como um forte empecilho para a melhoria da situação que se encontra.
Outrossim, outra dificuldade enfrentada é a questão da base educacional lacunar. Para Kant, o ser humano é o resultado da educação que teve. Nessa perspectiva, se há um problema social, há como base uma lacuna educacional. No que tange à doação de órgãos, nota-se a forte influência dessa causa, uma vez que a escola não tem cumprido o seu papel no sentido de informar os alunos sobre os benefícios da doação de órgãos e a sua importância.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Então, é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com o Conselho Federal de Psicologia do Brasil, desenvolvam “Workshops” em escolas, sobre a importância da empatia para o enfretamento de problemas sociais. Tais atividades devem ser direcionadas aos alunos do ensino médio, porém podem ser abertas à comunidade. Além disso, podem ser ofertadas atividades práticas, como dinâmicas e dramatizações, a fim de tratar o tema de forma lúdica, para que a empatia seja uma prática presente em situações como na doação de órgãos.