Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 18/11/2020
O médico nazista Joseph Mengele ficou conhecido mundialmente por seus experimentos cruéis durante o período da Segunda Guerra mundial (1939-1945). Apesar de inúmeras baixas e muito sofrimento das vítimas, foi nesse período que a medicina avançou muito, tornando possíveis, mesmo que remotamente, procedimentos como o transplante de órgãos e tecidos. Atualmente, a técnica foi aprimorada e já é realizada em várias partes do mundo. Entretanto, essa temática ainda apresenta muitos dilemas, tais como a possibilidade de salvar uma vida em contraponto com a falta de aceitação do procedimento pelas famílias.
Primeiramente, é importante ressaltar o bem que a doação de órgãos representa, pois os pacientes beneficiados são agraciados com uma nova oportunidade de vida que, sem esse artifício, não seria possível. Segundo o hospital Albert Einstein, apenas uma pessoa que doa seus órgãos após a morte pode salvar até 8 pessoas. Essa perspectiva é extremamente animadora, pois mostra que até mesmo depois de falecido, ainda é possível ajudar o próximo e fazer diferença na vida de muitas famílias, dando um outro destino para o seu “ouro biológico”, para que não seja desperdiçado em um cemitério ou crematório.
Em segunda análise, há o empecilho da não querência das famílias para fazer a doação. Um estudo divulgado pelo Jornal Câmara SP demostrou que, em média, 43% das famílias não autorizam o procedimento e, como a decisão final compete à elas, não há nada que pode ser feito. Parte do problema situa-se na legislação, que não considera qualquer documento deixado pelo falecido manifestando sua vontade de doar, sendo necessário que o doente comunique em vida para a família a sua decisão. Por conta disso, infelizmente, muitas pessoas na fila de espera acabam falecendo antes de se achar um doador compatível, pois as opções são limitadas, e o transplante ilegal de órgãos geralmente não é uma opção viável, devido aos seus altos custos e quase absolutos riscos de não ocorrer bem. Apesar disso, essa modalidade é bem comum ao redor do mundo, principalmente em países ricos e que não possuem saúde pública, como o SUS (Sistema Único de Saúde) no Brasil.
Em suma, o transplante de órgãos tem seus dilemas, com o benefício de salvar uma vida e o atraso da falta de aceitação das famílias envolvidas. Para que seja oferecida uma melhor qualidade de vida aos que precisam desse procedimento, cabe ao Governo Federal garantir que todos sejam doadores de órgãos, por meio de uma alteração constitucional. Aos que não desejam fazê-lo, a vontade deve ser manifestada em vida, tirando o poder de decisão da família após o falecimento. Apenas assim, milhares de vidas serão salvas e essas pessoas terão mais qualidade de vida.