Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 23/11/2020
Na clássica história do personagem Frankenstein, rodeada de mistérios, é retratada a criação de um ser vivo por um cientista a partir da reanimação de partes de humanos mortos. No âmbito atual, já é possível a ocorrência de transplantes de órgãos, todavia, o ar misterioso ainda prevalece, uma vez que a conversa sobre a doação ainda é vista como um tabu e as pessoas não contatam seus familiares sobre o interesse de que tal ato seja realizado. Sendo assim, essa falta de esclarecimento e comunicação é prejudicial ao optar dos entes por doar.
A princípio, é preciso compreender a doação de órgãos como tabu e a gravidade disso. Isso porque muitas vezes o indivíduo e seus familiares evitam conversar a respeito do desejo de que haja transplante com a morte, haja vista que esse assunto não é agradável e carrega caráter triste. Ademais, segundo a filósofa política alemã Hannah Arendt, em “A Banalidade do Mal”, o pior mal é aquele visto como algo corriqueiro, cotidiano. Nesse sentido, diante da constante ausência de comunicação, essa se encaixa como um dos piores males.
Outrossim, vale salientar a frequente postergação do diálogo em casa sobre isso. Nesse contexto, enquadra-se o pensamento existencialista do filósofo francês Jean-Paul Sartre, visto que o estudioso confere ao indivíduo, em decorrência de sua liberdade de escolha, a responsabilidade tanto por aquilo feito como pelo o que deixa de fazer. Dessa forma, esse ato de adiar a conversa é um tipo de negligência, já que esse assunto é de grande relevância tendo em vista os possíveis imprevistos e a possibilidade de que vidas sejam salvas.
Portanto, diante do prejuízo causado pela carência de diálogo a respeito do transplante de órgãos, faz-se essencial a tomada de medidas para corrigi-la. Desse modo, cabe ao Governo Federal, em parceria com a Mídia para que se tenha um maior alcance, promover campanhas, por meio de propagandas e panfletos, que estimulem o diálogo dos pais com os filhos acerca da vontade sobre o destino de seus órgãos após a morte, a fim de que haja a comunicação. Além disso, as escolas devem ensinar os alunos como ocorre o processo de doação, com intuito de que esse assunto não seja mais visto como um tabu. Assim, o Brasil contribuirá para que cada vez mais pessoas continuem vivas.