Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 26/11/2020
A Carta Constitucional assegura que o bem-estar social é um direito fundamental a todo cidadão. No entanto, nota-se que não há o exercício pleno dessa garantia, uma vez que a doação de órgãos é um problema a ser enfrentado na sociedade. Dessa forma, esse cenário se mantém no Brasil devido não só o descaso do Poder Público, mas também por causa da falta de informação social.
Primeiramente, é relevante abordar que a ausência de amparo estatal coopera para a consolidação dessa conjuntura. Desse modo, o escritor Gilberto Dimenstein disserta a respeito da inefetividade dos direitos constitucionais, posto que esses estão presentes apenas na teoria. Nessa lógica, o Poder Público é negligente em virtude da ausência de instituições públicas especializadas nas regiões do país para a arrecadação de órgãos, assim, pactua com o quadro de pessoas na fila, o que favorece a permanência do problema. Logo, a realidade reforça a teoria do escritor, pois as cidadanias estabelecidas na Constituição não são executadas.
Ademais, vale ressaltar que a irresponsável mídia ao não abordar sobre o tema coopera para a gradação da falta de informação social. Nesse sentido, de acordo com a Parábola da Caverna de Platão, os cidadãos vivem em um mundo de ilusões, a qual na realidade são orientados a tais comportamentos. Dessa maneira, a inexistência de propagandas a respeito da importância e o processo de doação de órgãos mantém os indivíduos presos a um mundo limitado, em que são conduzidos a permanecerem em uma visão arcaica sobre o transplante. Em vista disso, o número de doadores decresce , dado que a sociedade civil não detém o conhecimento necessário para a aprovação dessa prática, em conformidade com a teoria do filósofo.
Portanto, constata-se que é imprescindível mudanças para a construção de uma sociedade harmônica. Nessa perspectiva, cabe à mídia, principal transmissora de conhecimento e influência na formação social, orientar a população sobre a relevância da doação de órgãos, por meio de palestras socioeducativas que propague orientações e conhecimentos sobre o assunto, bem como incentivar os cidadãos a buscarem pelos seus direitos de acesso a uma estrutura receptora de doações no SUS em sua região. Com isso, o proposto pela Constituição será efetivado com êxito.