Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 01/12/2020

O primeiro transplante de órgão bem-sucedido ocorreu em 1954 realizado pelo doutor Joseph E. Murray que transplantou rins entre dois gêmeos. Nessa perspectiva, tal feito com o passar dos anos possibilitou que isso se tornasse rotineiro com intuito de salvar vidas. No entanto, atualmente para que ocorra uma doação existe uma barreira a se transpor, como a falta de informação da sociedade no assunto e as questões éticas familiares.

É relevante abordar, primeiramente,  que o Brasil é referência mundial na área de transplantes de órgãos. Embora isso ocorra, a falta de conhecimento no tema é um dos principais motivos que coopera com o baixo índice de doações e com uma fila de espera tão extensa. Como, por exemplo, o medo de o corpo sofrer deformação na retirada e para aonde irá o órgão. Consoante a isso, a pandemia da Covid-19 ampliou o drama dos que aguardam essa caridade, e com isso cresceram 44,5% as mortes de pacientes cadastrados na fila de espera, dados da Associação Brasileira de Transplantes (ABTO).

Paralelo a isso, a lei brasileira determina que a doação só pode ocorrer pela família e com o diagnóstico de morte encefálica do paciente, ou seja, quando há perda da função do cérebro, porém, o coração e outros órgãos continuam a funcionar. Nessa situação, o paciente é interpretado com vida pelos parentes e a religião costuma ser usada como razão para não doar, ainda que exista a comprovação legal do óbito. Sendo assim, é preciso respeitar a liberdade dos parentes e criar medidas em que o próprio indivíduo se decida em vida se irá recorrer a tal procedimento.

Dessa maneira, é preciso desfazer essas barreiras a fim maximizar o número de vidas salvas. Para isso, o Ministério da Saúde deve criar debates na mídia, campanhas publicitárias nas escolas e junto ao Poder Público Municipal, por meio das estações de trem e transporte, esclarecer e assegurar a população sobre a importância desse ato caridoso, a fim de diminuir o tempo da espera, o que é muito relevante para dar uma nova chance vida ao indivíduo. Cabe também, ao Poder Legislativo através dos documentos RG ou CNH oferecer a população a opção legal de ser um doador após a morte, na qual  o cidadão deixe claro a sua decisão em vida, e assim contribuir na redução da negativa familiar. Dessa forma, caminharemos para a diminuição dos empecilhos para alcançar um maior número de transplantes.