Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 30/11/2020
De acordo com a legislação vigente, para ser doador de órgãos no Brasil é necessário que tenha ocorrido morte cerebral mas ainda tenha atividade cardíaca e autorização da família para o procedimento. Ainda que a lei permita e o estado incentive as doações, dilemas como a negativa familiar e a ausência de autonomia do paciente responsável pela doação, deixam milhares de pessoas na lista por transplantes. Tal situação evidência necessidade de alternativas para o aumento de doações.
Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, em 2018, 43% das famílias recusaram a doação de órgãos de seus parentes. Essa grande porcentagem é oriunda da falta de conhecimento sobre os transplantes. Grande parte das famílias acreditam que ainda há chances de sobrevivência para a pessoa, porém, quando há o diagnóstico de morte encefálica, não há possibilidade do paciente continuar vivendo. Ao receber esse conhecimento pelo profissional da saúde local, a família poderá se sensibilizar e autorizar a doação, contribuindo para diversas pessoas.
Além disso, mediante o projeto de lei 3 176/2019, caso a pessoa não se manifeste contrária à doação, ela é considerada doadora até que se prove o contrário. Entretanto, esse projeto não é eficaz pois quem possui a decisão final e detêm responsabilidade é a família do doador. Tal situação favorece o alto número de famílias que recusam a doação e tira a autonomia do paciente pois entrega a decisão para a família do mesmo. Consequentemente, contribuindo para o número de pessoas na fila por um transplante.
O Governo deve, portanto, criar medidas para o aumento de doações de órgãos e tecidos. Essas medidas devem ser feitas através de palestras com profissionais da saúde realizadas pelo Ministério da Educação nas instituições de ensino, introduzindo o assunto e ressaltando a importância desse ato, convocando também os pais para discussão. Com isso, ao receber o conhecimento não restará dilemas que impeçam as doações e haverá mais doadores do que pacientes na fila.