Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 14/12/2020
É inquestionável a importância de doar órgãos ou tecidos para o tratamento de enfermidades, esse ato é retratado no projeto cinematográfico Sete vidas, em que o protagonista - após um acidente - busca ajudar outras pessoas. Entretanto, a realidade brasileira mostra-se comprometida, devido aos fatores como a negligente atuação estatal e desinformação sobre o processo de transplante.
A princípio, a ausência de ações governamentais em incentivo midiático colabora negativamente no alcance da campanha Setembro Verde, essa não tem o mesmo alcance de outras, como a de vacinação, prevenção ao suicídio e diagnóstico de câncer mamário. Desse modo, esse panorama rompe com o conceito de ética política, defendido pelo filósofo Aristóteles, que direciona ao bem-estar coletivo e prioriza a isonomia social, consequentemente, a distribuição de órgãos permanece insatisfatória, haja vista que não há um apelo efetivo nos meios de comunicação, promovendo uma lacuna persuasiva.
Ademais, sem um direcionamento educativo, diversas famílias limitam as discussões sobre esse assunto e, no falecimento de um ente querido, não possuem preparo psicológico para optar pela doação. Sob essa análise, o cenário atual pode ser explicado pelo fato social - analisado pelo sociólogo Émile Durkheim - em que há uma padronização de pensamentos, perpetuando a secundarização dos transplantes. Logo, as gerações futuras permanecem em um ciclo de ideias incoerentes e, que prejudicam a eficácia das doações em salvarem vidas.
Portanto, é necessário contornar esse quadro danoso para os brasileiros. Para isso, o Ministério da Educação, em parceria com o Sistema Único de Saúde, deve investir no desenvolvimento instrutivo, criando campanhas e oficinas - em horários acessíveis - sobre os benefícios da contribuição social em questão, que debatam sobre aplicabilidade e as etapas do processo de doações. Assim, seria possível garantir um equilíbrio comunitário.