Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 02/12/2020

Sobre ser finito

Brás Cubas, o defunto autor de Machado de Assis, diz em suas ‘‘Memórias Póstumas’’ que não teve filhos e portanto não transmitiu a nenhuma criatura o legado de nossa miséria. Talvez hoje ele percebesse acertada sua decisão: atos nobres como solidariedade empatia parecem em desuso. Nesse contexto, nota-se que quase metade das famílias recusam a doação de órgãos de seus familiares, necessitando assim de uma difusão quanto sua importância e rompimentos dos tabus acerca da temática.

Em primeiro lugar é importante salientar que sem doador não existe transplante e segundo o site G1, o Brasil possui cerca de 45 mil pessoas na fila de transplantes de órgãos. Daí a relevância de se desmitificar receios sobre a questão. Posto isso, no livro ’’ A morte é um dia para se viver’’ da médica Ana Cláudia Quintana, a vida é vista com uma nova perspectiva, além de mostrar como a morte sempre colabora com a vida de alguma maneira. Logo, a doação podendo ser praticada é uma maneira humana e empática de colaborar para à continuidade da vida.

Consoante, Carlos Drummond expôs em um de seus poemas que existem situações na vida que se comportam como pedra, ou seja, um empecilho. À vista disso, para remover tais obstáculos que venham a prejudicar à doação de órgão é necessário que governo e família cooperem de modo a amplificar o número de transplantes. Nesse viés, o governo pode investir em campanhas, incentivando  o debate para rompimento de tabus, além de dar a segurança necessária para à realização do processo (vide tráfico de órgãos); a família por sua vez deve respeitar e legitimar o desejo do ente.

Fica nítido quão nobre é a doação de órgãos, pois essa pode da morte pode colaborar com a continuidade da vida de outro ser. Ademais, atitudes que fortaleçam a pratica de transplantes se mostram enriquecedoras, por isso, o governo deve oferecer todo o conhecimento e segurança ao processo, por meio de campanhas midiáticas e pela efetivação das leis vigentes, a família cabe o papel de grande valia da validação quando o familiar optar pela doação de seus órgãos. Tais ações levam a uma sociedade mais humanizadas e que considera a vida preciosa. Criando assim, um legado no qual Brás Cubas pudesse se orgulhar.