Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 02/12/2020

O sistema de transplante adotado pela Espanha é uma referência para o mundo, chegando à 40 doações por milhão de população, segundo a Organização Nacional de Transplantes (ONT). Apesar de o Brasil ter o maior sistema público de doação de órgão, 40% das famílias não permitem o procedimento. A falta de informação, infraestrutura inadequada e o despreparo de parte dos profissionais envolvidos contribuem para o baixo índice de doação no país. Nesse sentido, é imperativo que tais entraves para a realização de transplantes sejam sanados.

A priori, o principal desafio em relação ao transplante é o consentimento familiar. A principal justificativa para a negação, de acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), é a não manifestação em vida do desejo de ser doador, visto que no Brasil não é necessário deixar por escrito. Além disso, pela legislação brasileira, mesmo deixando o desejo em vida, é o familiar mais próximo que decide sobre a doação. Nesse momento, o despreparo da equipe de acolhimento da família, em como questionar a doação em um momento de luto, contribui para essa recusa.

A posteriori, é importante não só o preparo dos profissionais de saúde, como também a infraestrutura dos hospitais. Como o tempo é decisivo, a equipe médica deve estar integrada em todas as etapas do processo, além de ser necessário a presença de um neurologista, pois deve-se constatar morte cerebral. Par isso, o hospital deve conter uma unidade de terapia intensiva e ter disponível todos os exames necessários para a constatação da viabilidade do possível doador até os testes de compatibilidade com o receptor.

Portanto, é importante sanar esses problemas a fim de aumentar o número de transplantes. Para isso, o Ministério da Saúde, em conjunto com a ABTO e a mídia, deve inserir a temática da doação de órgãos no cotidiano da população para incentivar a realização deste procedimento. Para tanto, reuniões periódicas podem ser realizadas para criar campanhas informativas que incentivem e informem, de forma clara e acessível, sobre todas as etapas da doação. Ademais, os profissionais envolvidos devem ser capacitados, com educação continuada para aumentar a qualidade da equipe, principalmente em relação ao acolhimento. Assim, os dilemas envolvendo os transplantes serão minimizados e, consequentemente, mas pessoas serão beneficiadas com esse ato.