Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 04/12/2020
O corpo humano funciona como um ser complexo e conectado, para uma boa funcionalidade vitalícia depende das partes que o compõe. Dessa forma, um lapso nos rins, provoca extremas alterações na vida do afetado, tendo de esperar por um transplante de órgão e para suprir o tempo de aguarde na fila de doação, utiliza-se a Hemodiálise, procedimento que substitui a função filtradora dos rins, sendo demorada e periódica. Desse modo, percebe-se problemáticas vinculadas a doação de órgãos no Brasil, como: a apatia familiar e causas que levam o êxito do tráfico de órgãos.
De acordo com Liev Tolstói, o maior indicador de uma sociedade corrompida, seria a apatia de seus membros perante as injustiças do mundo. De maneira análoga é possível perceber que na humanidade está consolidado entre seus membros o sentimento individualista diante as mazelas sociais. Exemplifica-se este fato com dados do G1, em que apresenta mais de 45 mil pessoas na fila para transplante de órgãos. Desse modo, estes crescentes números possuem ligações diretas com a apatia familiar em autorizar a utilização dos órgãos vitais do parente falecido, que consequentemente iria contribuir com a longevidade de um enfermo necessitado. Por fim, isto evidencia a dignidade humana sendo sacrificada pela primazia de conservação corporal.
Ademais, segundo pesquisa do autor Pellegrini, baseado em dados da ONU, aborda que, grande parte de órgãos adquiridos no mercado negro, são comprados por meio de pessoas que possuem baixa renda. Nesse contexto, analisando tal pesquisa, os indivíduos pertencentes a este comércio proibido, utilizam-se da instabilidade familiar, momento de luto e dificuldades financeiras, para oferecer fortunadas quantias de dinheiro, em troca da aquisição dos órgãos do parente que veio a óbito. Assim, isto contribuí de forma direta com a desarmonia dos brasileiros que aguardam legalmente na fila de doação, sendo ultrapassados por este mercado negro.
Portanto, é intrínseca a necessidade de solucionar os problemas relacionados a doação de órgãos no Brasil. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação, responsável pelo desenvolvimento educacional do país, a realização de projetos que relacionem a importância de se doar órgãos, por intermédio de palestras e dinâmicas, realizadas por profissionais adeptos a este assunto. Com isso, irá promover desde a infância, a consciência humanitária e o desenvolvimento do sentimento altruísta, que como efeito irá contribuir com novas mentalidades brasileiras em relação a doação. Além disso, a Polícia Federal, responsável pela segurança pública, a realização de operações rigorosas, afim de extinguir o tráfico de órgãos no país, por meio da criação de um corpo específico na PF, tendo inteligência suficiente para rastrear e perseguir membros que fazem parte deste mercado ilícito no país.