Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 05/12/2020

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil é o segundo maior transplantador de órgãos do mundo. Porém, esse volumoso número de transplantes ainda é insuficiente para atender a demanda da população brasileira, pois fatores como a recusa de familiares e a longa fila de espera são barreiras que dificultam a doação de órgãos no Brasil.

É necessário destacar, desse modo, que a recusa familiar se configura como o maior empecilho para a doação de órgãos no Brasil. Conforme dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, 47% dos familiares se recusam a doar os órgãos de um parente com morte cerebral. Dessa maneira, é possível perceber que, com um possível fim da recusa familiar, o número de transplantes de órgãos no Brasil poderia aumentar em quase duas vezes e, consequentemente, suprir a demanda da população brasileira.

É importante considerar, também, que, além da recusa familiar, uma longa fila de espera priva milhares de brasileiros do acesso ao transplante de órgãos. De acordo com a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, o Brasil tem mais de 30 mil pacientes na fila de espera por um transplante. Ao seguir essa linha de raciocínio, conclui-se que um paciente que precisa de um transplante urgente dificilmente sobreviva à essa longa fila de espera.

Fica claro, portanto, que a recusa familiar e a longa fila de espera são os maiores empecilhos para o transplante de órgãos no Brasil. Desse modo, cabe ao Ministério da Saúde, por meio de portarias, agilizar a coleta, o transporte e o transplante dos órgãos doados. Cabem, também, aos veículos de comunicação (televisão, redes sociais, etc.) promoverem, em suas postagens e programações diárias, a desconstrução de estigmas envolvendo a doação de órgãos, a fim de diminuir a recusa familiar e a longa fila de espera por um transplante no Brasil.