Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 10/12/2020
Segundo a atual Constituição Federal, todos os cidadãos devem ter seus direitos garantidos, dentre eles, a saúde. No entanto, quando se observa a dificuldade da doação de órgãos no Brasil, indivíduos que precisam deste procedimento ficam sem este direito constitucional. Essa problemática tem por principal motivo a desinformação populacional e a negligência estatal.
Em primeiro lugar, existe a falta de informação dos indivíduos somada à negação familiar. Nesse sentido, segundo a Associação Brasileira de Transporte de Órgão (ABTO), em 2019, 43% das famílias recusaram a doação de órgãos de seus parentes após morte encefálica comprovada - morte irreversível. Dessa maneira, o desconhecimento da população acerca desse tipo de morte acreditando que algum milagre irá acontecer corrobora ao aumento dos números de mortes por falta de doação de órgãos. Assim, são necessários debates e campanhas mais eficientes para gerar maior esclarecimento acerca desse tema.
Vale salientar, também, a falta de diligência estatal em relação à infraestrutura hospitalar. Nesse viés, cada órgão tem um prazo máximo para ser transplantado. O coração, por exemplo, deve ser colocado em outro corpo no prazo de até 4 horas. Assim, quando o Estado não garante insumos necessários para o resgate do órgão ou falta de transportadoras para levar este para seu destinatário em tempo para a conservação do órgão, dificulta a efetivação deste processo. Dessa forma, são fundamentais investimentos nos serviços básicos de uma sociedade para garantir a vida de toda a população.
Fica evidente, portanto, a necessidade de ampliar a doação de órgãos no Brasil. Logo, cabe ao Ministério da Saúde promover campanhas nas redes sociais, por meio de influenciadores sociais, que irão abordar a temática de uma maneira mais informal. Tal ação tem por principal objetivo incentivar e conscientizar as pessoas em relação ao assunto. Assim, torna-se possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na magna carta.