Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 30/12/2020

O documentário brasileiro “Sob pressão”, em um dos seus episódios traz a temática da doação de órgãos, em especial os dramas de uma mãe que rejeita autorizar a prática no seu filho que teve morte encefálica. Desse modo, ao sair da ficcção é verídico observar que a questão do transplante de órgãos é perceptível no Brasil, visto que ainda é baixa a adesão social com a ação. Com isso, a recusa familiar e o baixo investimento na infraestrutura hospitalar são dilemas que prejudicam a atuação desse procedimento no país. Sendo assim, é necessário que haja uma iniciativa pública com intuito de minimizar as dificuldades para realização de tal problemática.

Em príncipio, é válido ressaltar que devido ao desconhecimento com relação a doação muitos familiares recusam essa prática. Dessa forma, segundo o Ministério da Saúde, no Brasil para que ocorra o transplante de órgãos é necessário a autorização da família, quando o indivíduo não autoriza ainda em vida, e geralmente ocorre com pessoas que sofreram morte encefálica. Nesse sentido, com base no longa-metragem supracitado apesar do paciente se enquadrar nos requisitos como doador a mãe não aceita doar seus órgãos, pois alega dentre outros motivos a falta de conhecimento sobre o processo a ser realizado. Nessa perspectiva, a ausência de informações públicas e a falta de conhecimento dificultam a adesão social a doação.

Além disso, a ineficiente infraestrutura dos centros médicos também geram empecilhos a essa ação. Destarte, apesar do país ter mais de 40000 pessoas a espera por um órgão, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), o baixo investimento em ampliações de salas, no transporte e na especialização médica dificultam tal ato. Dessa maneira, atrelado a alta concentração de hospitais que realizam esse procedimento, o que dificulta o acesso igualitário as regiões do país, pois essa técnica costuma ser realizada em hospitais de zonas urbanas com alto recursos tecnológicos, dificultando assim o acesso a esses órgãos em pacientes que residem em zonas rurais ou interioranas. Tais evidências comprovam os dilemas relacionados a baixa realização de transplantes no país, devido ao pouco investimento em transplantes.

Portanto, cabe ao Governo Federal investir, em parceria com o Ministério da Saúde, em campanhas publicitárias em TV e redes sociais, as quais devem ser realizadas por profissionais da área médica, abordando a importância da doação de órgãos para salvar vidas e de como é realizado o procedimento, com intuito de aumentar a adesão familiar e a aceitação social com a ação. Ademais, cabe ao Ministério da Economia investir na ampliação da infraestrutura profissional e espacial para a realização de transplantes em diversas regiões do país.