Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 13/12/2020

Joseph Edward Murray, em 1954, foi o primeiro cirurgião a realizar um transplante de órgão vital com sucesso, o que lhe garantiu o Prêmio Nobel de Medicina de 1990. No entanto, embora a doação de órgãos seja capaz de salvar vidas, o número de doadores está longe de ser o suficiente. Tal problemática ocorre devido, entre outros fatores, à infraestrutura limitada dos hospitais e à recusa dos familiares. Essa realidade constituiu um desafio a ser resolvido não somente pelos poderes públicos, mas também por toda a sociedade.

Em primeiro plano, é possível perceber que a infraestrutura dos hospitais impossibilita à doação de órgãos. De acordo com o Portal de Notícias G1, a falta de infraestrutura de dois hospitais em Goiânia-GO impediu que a família de uma mulher de 44 anos, que teve morte cerebral, doasse seus órgãos a nove pessoas. Diante disso, é possível observar que por conta da limitação dos hospitais - no que diz respeito à profissionais especializados e equipamentos de qualidade -, inúmeros indivíduos que encontram-se na lista de espera para receber um órgão que salvará a sua vida não conseguem êxito pelo fato dos hospitais não estarem aptos para a cirurgia, e, assim os orgãos por serem frágeis não conseguem durar um longo período de tempo. Dessa maneira, entende-se essa questão como uma problemática cuja resolução deve ser imediata.

Ademais, cabe abordar a recusa das famílias sob a perspectiva do sociólogo Zygmunt Bauman. Segundo o autor, o individualismo é uma das principais características - e o maior conflito - das relações do mundo moderno, na qual o bem-comum e a solidariedade tornaram-se conceitos desvalorizados. Seguindo essa linha de pensamento, isso se evidencia quando as famílias ao perderem algum dos seus familiares, se recusam a doarem os seus órgãos que se encontram em perfeitas condições para que sejam transplantados em outros indivíduos necessitados. Nesse sentido, um caminho possível para combater os dilemas da doação de órgãos é desconstruir o principal problema da pós modernidade, segundo Zygmunt Bauman: o individualismo.

Portanto, tendo em vista a problemática debatida, é notório que medidas devem ser tomadas. Cabe, então, ao Governo Federal, em parceria com o Ministério da Saúde, destinar verbas específicas para que seja garantido uma infraestrutura de qualidade para todos os hospitais, e assim as cirurgias de transplantes possam ocorrer com sucesso, para que os indivíduos possam ter melhor qualidade de vida. Além disso, deve criar campanhas publicitárias para conscientizar as famílias sobre a importância da doação de órgãos, e assim possam praticar o ato de empatia. Feito isso, será possível assegurar mais transpolantes de órgãos como ocorrido em 1952, pelo médico Murray.