Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 16/12/2020
O Brasil é tido como referência mundial na área de transplantes de órgãos, sendo o 2° maior transplantador do mundo. No entanto, a fila de pessoas que aguardam por uma doação ainda é muito extensa atualmente. Nesse âmbito, faz-se necessário analisar dois dilemas que dificultam o aumento de doadores: a baixa promoção de campanhas incentivadoras e a falta de diálogo familiar a respeito do desejo de ser um doador.
Diante desse cenário, cabe analisar como o baixo estimulo à doação de órgãos é um entrave para o aumento de doadores no país. Isso ocorre porque apesar de já existirem campanhas de conscientização sobre a importância da doação de órgão, como o Novembro Verde - campanha no mês dedicado à causa - essas não recebem incentivo midiático e consequentemente não ganham uma ampla repercussão. Prova disso é que, no mês de novembro, também existe a campanha de prevenção ao suicídio - Setembro Amarelo - a qual tem um alcace muito maior na TV e redes sociais. No entanto, ambas as causas são nobres e objetivam salvar vidas, logo necessitam de ampla visibilidade. Assim, é preciso propagar conhecimento acerca da importância da doação de órgãos para que mais indivíduos se tornem doadores.
Outrossim, a falta de diálogo familiar a respeito do desejo de se tornar um doador torna-se um obstáculo para o aumento do número de doações. Segundo a legislação brasileira atual, quem decide sobre a doação de órgãos é a família do indivíduo que faleceu, a manifestação do desejo de ser um doador em vida não é válida legalmente. Nessa direção, faz-se importante conversar previamente com os familiares sobre a vontade de doar órgãos, pois assim é mais provável que a vontade do indivíduo seja respeitada, ademais, após a notícia de falecimento, os parentes ficam emocionalmente abalados e será mais fácil decidir sobre um assunto que já foi discutido anteriormente.
Portanto, os membros da Sociedade Brasileira de Medicina devem pressionar o Ministério da Saúde, por meio de um abaixo-assinado virtual, solicitando uma maior veiculação de campanhas de estimulo à doação de órgãos. Isso pode ser feito, por meio de propagandas televisivas, que esclareçam sobre a importância de ser um doador e conversar previamente com os familiares sobre esse desejo. É interessante que tais mídias façam uso de uma linguagem acessível e sejam exibidas em horário de grande audiência, a fim de alcançar o maior número de pessoas. Enfim, após a adoção dessas medidas é esperado que o número de doadores de órgãos aumente e a fila de quem aguarda por um transplante, felizmente, diminua.