Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 21/12/2020

Durante a década de 60, o primeiro transplante de coração foi realizado no mundo, o que fomentou a possibilidade da doação de órgãos vitais ao homem. Neste sentido, a evolução das ciências médicas se mostrou essencial para o aumento da expectativa de vida, porém, enfrenta problemáticas no Brasil, como a ausência de informação e de infraestrutura para a doação ágil. Desse modo, deve-se analisar tais questões.

Em primeiro plano, vale salientar que doação de órgãos ainda é um tabu. Em sua maioria, tal fato contribui para a desinformação, visto que a sociedade tem receio de falar sobre a morte e, consequentemente, assuntos que a envolvem. Aliado a essa falta de debate, a desinformação colabora para que mitos sobre o assunto permeiem a comunidade, que acaba acreditando em vários, como a desconfiguração do falecido. Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, cerca de 47% das das famílias se recusam a doar os órgãos do parente, o que comprova a falta de informação como influente na realização de doações.

Outrossim, a ausência de infraestrutura deve ser analisada. Sabe-se que os transplantes têm um tempo máximo para serem realizados, por isso, ter veículos e equipes prontas para que esse processo ocorra de forma rápida é essencial. Entretanto, não é o que acontece, pois, muitas vezes, o traslado do órgão é impossibilitado por falta de veículos, o que compromete não só o transplante mas a vida de alguém. Desse modo, para amenizar essa problemática o  Governo Federal, assinou uma lei na qual exige uma aeronave da Força Aérea Brasileira disponível para o transporte de órgãos.

Portanto, dar informação sobre a doação de órgãos e seus resultados é preciso. Sendo assim, o Ministério da Saúde, em conjunto com o Ministério das Cidades, deve estruturar locais estratégicos para o transporte de órgãos, por meio de capacitação de aeroportos e rodovias, a fim de aumentar o fluxo de doações e a expectativa de vida. Ademais, a mídia, em especial a TV aberta, deve criar propagandas sobre os mitos da doação, por meio de imagens lúdicas e dados, gerando senso crítico sobre o tema.