Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 18/12/2020

Falta de diálogo familiar, desinformação civil e pouca ação estatal são os principais motivos que dificultam a doação de órgãos no Brasil. Sob essa perspectiva, nota-se a ineficácia das instituições de saúde pública que pouco debatem a questão na esfera civil. Portanto, diante da falta de medidas políticas e educacionais, milhares de vidas são perdidas nas imensas filas de transplante no país.

Em primeira análise, deve-se pontuar que a doação de órgãos é um tema tratado como tabu no âmbito familiar, pois dialogar sobre um possível óbito, apesar de necessário, ainda não é frequente no país. Dessa forma, após uma morte cerebral, por exemplo, o responsável pela autorização da doação de órgãos muitas vezes desconhece se o ente querido gostaria de doar. Logo, por motivos até banais, a realização do transplante é recusada pelos parentes, fato ratificado pelo site G1 que aponta um número próximo de 50% de familiares que não permitem a doação de órgãos dos falecidos.

Além disso, vale ressaltar que o Estado ainda é retrógrado nas leis que abordam essa questão, pois a decisão sobre o destino dos órgãos do civil, posterior à morte, não é previamente tomada por ele. Nesse viés, análogo ao pensamento de Stuart Mill, sobre seu próprio corpo e mente o indivíduo é soberano, logo, é fundamental que o cidadão decida a respeito de doar ou não partes do seu corpo em caso de óbito. Em suma, fica clara a urgência de medidas legislativas que reduzam o descarte de órgãos vitais.

Em virtude dos fatos mencionados, uma solução plausível para abrandar a recusa da doação de órgãos é a criação do projeto ‘‘É preciso falar sobre a morte’’ pelo Ministério da Saúde. Posto isso, verbas públicas serão utilizadas para custear propagandas que serão veículadas nos canais de televisão aberta aos domingos. Dessa forma, o tema da publicidade será informar o cidadão, por meio de palestras médicas, sobre a importância de conversar sobre a doação de órgãos, afim de mitigar o tabu dessa questão. Ainda, a União deve modificar a lei e permitir que o próprio civil decida sobre a doação, conclui-se, assim, que mais transplantes serão realizados.