Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 14/07/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social caracteriza-se pela ausência de problemas. Fora da ficção, no entanto, o que se observa no Brasil contemporâneo é o oposto do que o autor apresenta, uma vez que os desafios para o aumento da doação de órgãos exibe barreiras, as quais dificultam a concretização das ideias de More. Tal cenário antagônico é fruto tanto do precário sistema educacional quanto da falta de políticas públicas, sendo necessária a discussão desses aspectos para o pleno funcionamento da sociedade.

De início, vale destacar que a educação é o fator principal no desenvolvimento de um país. Nesse sentido, levando em conta que o Brasil está entre as 15 maiores economias mundiais, seria racional acreditar que a nação possui um complexo educacional eficiente. Contudo, a realidade é o oposto e o resultado desse contraste é refletido na problemática supracitada, haja vista que nas escolas não existe disciplinas e discussões suficientes sobre a importância da doação de órgãos, ocorrendo a formação de indivíduos alienados sobre a temática. Dessa forma, é evidente o falho conjunto educacional como impulsionador da pouca doação de órgãos.

Faz-se mister, ainda, ressaltar que o problema deriva, também, da baixa atuação dos setores governamentais no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Nesse viés, segundo o filósofo inglês Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Entretanto, isso não ocorre no Brasil, tendo em vista a insuficiência de políticas públicas como campanhas de incentivo à doação. Tal fato comprova-se ao analisar dados divulgados pelo Ministério da Educação, os quais revelam que quase metade das famílias ainda se recusam na doação de órgãos dos familiares. Assim, é fundamental a reformulação da postura estatal de forma urgente.

Portanto, cabe ao Governo, por meio de alterações na grade curricular das escolas do país, elaborar disciplinas que discutam acerca da relevância na doação de órgãos, a fim de conscientizar a população e formar cidadãos comprometidos com a saúde da sociedade. Ademais, com o mesmo objetivo, o MEC deve, por intermédio de verbas governamentais, gerar e difundir campanhas publicitárias nas redes sociais. Dessa forma, os desafios para o aumento da doação de órgãos seriam, em médio e longo prazo, superados e a coletividade estaria um passo mais próxima da “Utopia” de Thomas More.