Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 21/12/2020

No longa-metragem “Sete vidas”, Will Smith protagoniza Tim Thomas, personagem que doou seus órgãos e salvou a vida de sete pacientes. Fora da ficção, no Brasil contemporâneo, ainda há dificuldades de pôr em ação a atitude de Thomas, ao considerar que esse assunto ainda é um tabu nacional, o que precisa ser desconstruído. Com efeito, para pôr em prática os benefícios conquistados pela medicina, há de se deliberar sobre o consentimento da doação e as estatísticas desse evento.

É válido pontuar, de início, que o desconhecimento sobre a doação de órgãos é uma das principais causas para seu, ainda, discreto fomento. A esse respeito, o filósofo Arthur Schopenhauer disserta que todo ser humano usa seu campo de visão como o limite para o mundo. Por conseguinte, a doação de órgãos no Brasil ainda é um tabu nacional, ao considerar que o Estado é discreto em veicular as informações inerentes à essa prática, o que contribui para que os indivíduos tenham uma visão estigmatizada e preconceituosa da utilização de órgãos de pessoas desconhecidas. Assim, a desconstrução dessa mentalidade rígida, como expôs Schopenhauer, fomentaria o melhor usufruto do avanço da medicina, e consequente contribuiria no transplante de um maior número de pacientes.

A doação de órgãos é, inclusive, uma prática segura e eficaz com amplo crescimento nos últimos anos. Nessa perspectiva, a Agencia Brasil destacou em seu site que, na última década, o crescimento das doações superou a margem de sessenta por cento. Isso ocorreu, decerto, em virtude do comprometimento multiprofissional das equipes de doações e da solidariedade das famílias - responsáveis pela autorização -, ambos imprescindíveis para esse satisfatório resultado. Esses dados só reforçam que é possível, instruídos com base técnica, salvar a vida de muitos pacientes, ao notificar as instituições responsáveis por esses procedimentos. Lê-se, pois, como indispensável, diante do potencial crescimento da doação de órgãos, a conscientização da população.

Há de se maximizar, portanto, o número de doações de órgãos no Brasil. Para tanto, as escolas - instituição responsável pela instrução cidadã, deve, com auxílio de profissionais da saúde - médicos e enfermeiros -, por meio de workshop e palestra, informar sobre a importância de avisar familiares e amigos sobre a vontade de doar os órgãos, além de elucidar dúvidas a respeito desse procedimento, de modo que, por meio do esclarecimento, o estigma que cerca esse assunto seja desconstruído. Essa medida estimularia a doação e salvaria muitos pacientes, de sorte que, a postura de Thomas seja factual na nação brasileira.