Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 29/12/2020

Segundo  Franz Kafta ‘‘A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana.’’ Contudo, ao se tratar da questão de doação de orgãos no Brasil, a frase do sociólogo  é contrariada, visto que, milhares de pessoas morrem na fila de doação no país por falta de altruísmo. Ainda, essa problemática é agravada pela falta de informação da sociedade e pela ineficiência de infraestrutura hospitalar no país. Por isso, faz-se necessário mitigar os dilemas que impedem a ineficácia desse processo.

Em primeira análise,  a valorização do hedonismo na modernidade, fez com que a morte passasse a ser vista como um tabu social, e não como algo natural que precisa ser vivenciado por todos. Com isso, pouco se é discutido sobre na sociedade e, consequentemente, não é debatido sobre a questão da doação de orgãos pós morte. Associado a isso, há uma ineficiência do Estado em garantir o incentivo e o esclarecimento desse gesto na sociedade. Então, essa falta de informação dificulta a decisão da familia nesse momento de dor.  Desse modo, pacientes que apresentam um grande potencial para serem doadores, têm seus órgãos desperdiçados. Para exemplificar, conforme o Ministério da Saúde, 43% dos brasileiros negam a doação de orgãos dos seus familiares. Portanto, fica evidente a necessidade do debate dessa problemática no país para haver uma maior conscientização.

Outrossim, é preciso ressaltar que o número de doadores cresceu 15% nos últimos anos segundo o R7 notícias. Todavia, mesmo que a doação ocorra de forma significativa, muitos hospitais não estão preparados para receberem uma grande demanda. Falta infraestrutura, profissionais como enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais para dar apoio e orientar a família. Tal fato, é confirmado por uma pesquisa realizada pelo grupo  Acesso a Medicamentos e Uso Responsável da Universidade de Brasília (AMUR-UnB), em que segundo eles, os serviços de sáude estão concentrados somente nas regiões suldeste do país. Dessa forma, determinadas regiões, apesar de possuírem número potencial de doadores, não apresentam suporte para a realização do transplante.

Portanto, é preciso que o Estado, no papel do Ministério da Saúde, crie debates sobre o dilema da doação de órgãos no Brasil. Isso deverá ser feito mediante a inserção de propagandas midiáticas por meio da televisão e redes sociais que busquem informar sobre os benefícios da doação e incentivar as pessoas a conversarem sobre o assunto com seus entes queridos, de forma tal que a morte não se torne mais um tabu. Com isso, será possível educar as pessoas torná las mais solidárias e conscientes. Ademais, é preciso que os governos estaduais melhorem a infraestrura dos hospitais e contratem os profissionais necessários para orientar a família e facilitar a decisão.