Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 30/12/2020

Grays Anatomy é um seriado estadunidense que tem sua trama desenvolvida em um hospital, tendo como um dos temas aborados, a doação de órgãos e as dificuldades que envolvem esse processo, sendo a recusa familiar: o principal problema. Nesse sentido- fora das telas- a realidade é a mesma, afinal, poucas pessoas reconhecem os benefícios que esse ato pode gerar na vida de algum indivíduo que, há anos, espera por um coração, rim ou córnea. Diante disso, o dilema da doação de órgãos envolve a falta de conhecimento acerca da morte encefálica por parte das famílias e a infraestrutura hospitalar precária.

Em primeiro plano, segundo dados disponibilizados pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, o Brasil desperdiça cerca de 50% dos órgãos disponíveis para transplante por falta de notificação da morte encefálica. Nessa ótica, justificando a tese acima, muitos cidadãos não tem a convicção de que a morte cerebral é uma lesão irrecuperável do encéfalo que interrompe qualquer atividade cerebral, sendo assim, o paciente encontra-se morto, mas o coração continua batendo, permitindo, assim,que os demais órgãos sejam oxigenados e conservados para a doação. Nesse contexto, por não saberem o real motivo da morte de seus entes somado a dor da separação, muitas famílias não conseguem tomar a decisão da efetiva doação, o que acaba contribuindo na permanência de milhares de enfermos nas filas de transplante.

Em segundo plano, segundo o sociólogo Émille Durkheim, anomia social é um termo que retrata o estado de caos o qual uma comunidade vivencia. Nessa ótica, a problématica do transplante de órgãos é intensificada pelo fato de muitos hospitais não possuírem uma equipe médica preparada  para lidar com os familiares, equipamentos necessários para manter os órgãos conservados e, principalmente, por falta de transporte aéreo, afinal, nesse procedimento o tempo é fator crucial.Além disso, existe uma escassez de profissionais nas UTI, haja vista a ausência de enfermeiros de terapia intensiva, fisioterapeutas e psicólogos que orientem as famílias da situação em que se encontra o paciente e ,em alguns casos, os convençam da doação de órgãos.

Destarte,cabe às escolas adotarem o modelo de ensino politizador a fim de que, desde a mais tenra idade, os jovens sejam educados por meio de simpósios e cartilhas sobre a importância da doação de órgãos, os procedimentos envolvidos e como se dá a morte encefálica, para que, assim, além de se tornarem futuros doadores, conscientizem a sua famíla da importância desse ato altruísta.Somado a isso, o Governo deve liberar insumos para o setor de saúde com o fito de que melhorias sejam realizadas nos hospitais e, consequentemente, mais vidas sejam reestabelecidas.