Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 04/01/2021

No Egito antigo, após a morte, os faraós tinham todos os  seus orgãos retirados e colocados em um recipiente que em seguida eram enterrados juntos com os seus corpos, acreditava-se que cada orgão pertencia a uma entidade, e retirá-los de perto do dono condenaria a sua alma ao sofrimento. Bem como na atualidade, os orgãos ainda são enterrados com seus donos mesmo em boas condições para doação, que poderia salvar várias vidas. Em virtude da falta de infraestrutura, carência de conhecimento sobre a doação de orgãos e o preconceito, o número de doadores ainda é pequeno se comparado ao número de pessoas que estão na fila de espera por um transplante. Logo, é necessário que o tema seja debatido, para que faça-se possível levar informação para a sociedade e fazer com que o número de doadores cresça.

Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Orgãos (ABTO), exitem cerca de 14 milhões de doadores. No entanto, nem todos os orgãos são aproveitados, devido a sua fragilidade e má infraestrutura do país, muitos orgãos continuam sendo decartados e em sua grande maioria pela demora ou transporte inadequado do orgão. Além disso, de acordo com a ABTO, no ano de 2018, o Brasil possuía 32.716 pacientes cadastrados em lista de espera para uma transplantação. Desse modo, vários indivíduos vão a óbto por passarem muito tempo na fila de espera por um transplante. Sem dúvidas, muitas dessas vidas poderiam ser salvas se o tema fosse melhor abordado, a falta de informação é um dos motivos para que a família se negue a fazer a doação.

Ademais, mesmo que antes da morte o sujeito tivesse deixado claro que era um doador, é a família do ente que escolhe se quer doar ou não, quando foi promulgada, em 1997, a lei 9.434/97 presumia que todo brasileiro era doador, devido manifestações contrárias. Em 2002, o código foi reajustado: agora a família tem o poder de escolha acima de qualquer um, inclusive acima do falecido. Logo, é de extrema importância que medidas sejam tomadas depressa, para que seja viável salvar a vida das pessoas que necesitam de uma cirurgia.

Portanto, é notório que a doação de orgãos no Brasil é difícil. No entanto, há medidas que podem ser tomadas, o Ministério da Saúde´juntamente com a  Secretaria Especial de Comunicação Social (SECOM), deve promover anúncios sobre a temática, através das mídias digitais e TV aberta, com o intuito de levar informação para todo corpo social, assim, o preconceito será menor e o número de doadores pode crescer. Por consequência, a fila de espera irá diminuir e a probabilidade do cidadão receber um orgão antes de ir a óbto é maior.