Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 07/01/2021

O Super-Homem, idealizado pelo célebre filósofo Nietzsche, caracteriza o indivíduo capaz de livrar-se das amarras sociais. No entanto, quando se analisa os dilemas da doação de órgãos no Brasil, percebe-se que o ideal proposto pelo autor está distante da realidade social de alguns indivíduos. Situações como essas são potencializadas ora pala inércia estatal, ora pela má forção socioeducacional atrelado a recusa dos familiares para que haja a doação.

Em primeira análise, o reduzido investimento estamental em medidas que orientem a população acerca da importância da doação de órgãos é um fator determinante para a permanência desse impasse. Nesse viés, o sociólogo Émile Durkheim, afirma em sua Teoria do Corpo Biológico, que a sociedade atual funciona como um corpo humano: é necessária a atuação de todos os órgãos em prol do seu pleno funcionamento. Contudo, o Poder Público configura-se como um órgão falho, uma vez que os investimentos destinados ao meio midiático para a disseminação de propagandas e de campanhas publicitárias que vise incentivar a doação de órgãos e informar a população acerca dos procedimentos para que haja uma doação segura, são ínfimos. Por conseguinte, sem o devido incentivo governamental, existe longas filas de espera por transplantes, que muitas vezes leva o indivíduo a morte, visto que muitos pacientes já estão em estágios graves do problema.

Outrossim, o despreparo de algumas instituições de ensino e o reduzido diálogo entre os familiares é um fator contribuinte para um baixo índice de doação de órgãos. Isso ocorre porque a maioria das escolas, interessa-se, geralmente, apenas pela transmisssão de conteúdos técnicos e pouco prepara e informa os indivíduos acerca da necessidade e da importância de alguns atos, entre eles, a doação de órgãos entre a população, isso seria assegurado pela a abordagem em palestras interdisciplinares nas escolas . Além disso, outro contribuinte que dificulta a ação é a recusa da família, pelo fato de alguns antes de morrerem não comentar sobre o desejo de doar os órgãos, ou por ser um momento de dor para os familiares, ou até mesmo, pela falta de informação acerca do processo.Diante do supracitado, medidas são necessárias para que haja a mitigação desse impasse. Para tanto, urge que o Estado aliado a mídia, por meio de verbas governamentais, invista em campanhas e propagandas publicitárias informando a população acerca dos procedimentos e da necessidade de doar órgãos, com o intuito de que haja mais doações e que as longas filas de espera sejam menores. Ademais, é importante que as escolas invistam em palestras socioeducativas acerca dos problemas do cotidiano, por intermédio de atividades ministradas por profissionais capacitados sobre a doação de órgãos, orientando pais e filhos sobre o processo,  com a finalidade de que essa pauta seja mais comum entre os familiares.