Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 07/01/2021
Em sua fase realista, Machado de Assis, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão da doação de órgãos no Brasil, que ocorre em uma frequência alarmantemente baixa. Nesse sentido, estratégias precisam ser criadas para alterar essa situação, que possui como causas o individualismo e a falta de conhecimento.
Em primeira análise, é preciso atentar para o egocentrismo presente como um dos fatores do baixo índice de doações de órgãos no país. Nesse contexto, Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, defende que a sociedade pós-moderna é fortemente influenciada pelo individualismo. Sob essa lógica, o que osberva-se é uma falta de empatia dominante, que impede, muitas vezes, a doação de órgãos, uma vez que a família da vítima de morte encefálica não autoriza o processo, por não se colocar no lugar do outro. Prova disso é que, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), 43% das famílias, em 2018, recusaram a concessão. Assim, com a liquidez que influi sobre a problemática, dificulta-se sua resolução.
Vale ressaltar, também, que a falta de conhecimento se faz terreno fértil para o dilema do transplante de órgãos. Nessa perspectiva, o filósofo Schopenhauer argumenta que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento à respeito do mundo. Dessa forma, não há como a sociedade brasileira ser atuante no problema citado, tendo em vista que pouca informação é disponibilizada diariamente nas mídias. Isso pode ser visto em um estudo realizado pela ABTO, que mostrou que, apesar de ter ocorrido um aumento de 15% nas doações de órgãos, um dos pincipais empecilhos para a melhoria é a falta de informação. Dessa forma, sem que a população tome conhecimento sobre transplantes, sua visão será limitada, impedindo a erradicação do problema.
Torna-se evidente, portanto, que é necessária uma intervenção que melhore os índices de doação de órgãos. Para isso cabe ao Ministério da Educação, somado ao Ministério da saúde, promover campanhas que elevem o nível de informação à respeito da doação de órgãos. Isso pode ocorrer por meio da construção de oficinas de teatros, tal que especialistas da saúde auxiliem os estudantes a desenvolverem roteiros de peças sobre a realidade da falta de transplantes nos hospitais. Essas peças podem, ainda, serem divulgadas nas redes sociais, visando ter maior alcance. Desse modo, os jovens sentirão na pele a importância de serem doadores, ampliando a taxa de doações. Por fim, os cidadãos atuarão ativamente na mudança da realidade brasileira.