Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 07/01/2021

No filme “7 vidas” é retratada a história do personagem interpretado por Will Smith. Um homem que, por ter provocado um acidente de trânsito que ocasionou a morte de 7 pessoas, se sente profundamente culpado, para se redimir, ele programa sua própria morte encefálica e deixa avisado para um familiar que quer ser doador de órgãos, para que assim possa salvar a vida de 7 outras pessoas. O filme mostra brevemente a vida das pessoas que foram salvas graças a doação. Fora da ficção o cenário de vidas sendo salvas por esse ato enfrenta dilemas no Brasil, não só pela omissão do Estado acerca do assunto, mas também pela falta de diálogo nas famílias.

O dilema da doação de órgãos advém da postura omissa do estado, tanto em disponibilizar informações adequadas a respeito do tema, quanto em garantir uma estrutura homogênea para a doação em todo território nacional. Além de não existir políticas públicas eficazes que visem a educação e conscientização da população acerca da doação de órgãos, equipes médicas qualificadas para realizar os procedimentos estão concentradas nas regiões sudeste e sul, deixando à mercê as outras regiões do país. Devido a isso, a doação de órgãos no país enfrenta dificuldades e vidas que poderiam ser salvas, infelizmente, não são.

Outrossim, a baixa aceitação familiar para doação de órgãos é fruto da ausência de informação e da falta de diálogo a respeito do assunto dentro das família, seja por não querer pensar no familiar morto, seja pela superstição de que falar na morte a atrai, seja por questões de cunho religioso, conversas sobre morte não são tratadas de maneira natural no país. Nesse caso, diferente do retratado no filme “7 vidas”, muitas pessoas precisam decidir sobre a doação de órgãos sem saber qual era o posicionamento do possível doador e em grande parte dos casos negam o procedimento, deixando de salvar muitas vidas.

Em suma, a doação de órgãos é um assunto de extrema importância, já que é uma atitude que pode salvar vidas, porém o tema enfrenta dilemas no Brasil. Cabe, portanto, ao Ministério da Saúde promover infraestrutura e equipes médicas qualificadas para realizar doações de órgãos em todas as regiões do Brasil, por meio de políticas públicas, com o propósito de que este procedimento possa ser realizado de forma homogênea em todo o país. Além disso, o mesmo Ministério deve realizar campanhas informativas acerca do assunto, por meio da rede aberta televisiva, a fim de aumentar o índice de aceitação familiar. Desse modo, a doação de órgãos poderá ser cada vez mais realizada no Brasil