Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 07/01/2021
Na obra “O triste fim de Policarpo Quaresma” - do escritor Lima Barreto - o protagonista Major Quaresma tem como característica marcante um nacionalismo ufanista, no qual acredita em um Brasil utópico. Fora da ficção, o dilema na doação de orgãos torna o país distante do imaginado pelo personagem. Tal problema está relacionado com a deficiente estrutura educacional - que não aborda e trabalha bem atos solidários, como doação - o que acarreta em pacientes sem acesso aos orgãos e gera tabus em relação ao assunto.
Em primeira análise, é válido ressaltar quais problemas dificultam a resolução desse impasse. De acordo com o filósofo prussiano Karl Marx, a economia que determina a sociedade. O pensamento se comprova correto quando as instituições de ensino buscam formar, em detrimento de autroísmo e empatia, discentes competitivos para o mercado de trabalho. Logo, é formado uma comunidade que não tem enraizada em sua cultura atos solidários e que, por não ser exposta ao assunto desde cedo, gera tabus em relação à doação de orgãos, como não compreender a morte cerebral.
Outrossim, diversos problemas sociais são ocasionados por essa problemática. Embora a Contituição Federal de 1988 garanta o direito à saúde para todos os brasileiros, não é o que vemos de fato, visto que - de acordo com o portal G1 - dos 6 mil possíveis doadores de 2012, apenas 30% realizaram o ato. Desta forma, os dados mostram que as atuais campanhas de incentivo governamentais não estão sendo suficientes para aumentar o número de orgãos doados e, por consequinte, garantir o direito estabelecido na Carta Magna.
Portanto, para que o Brasil fique mais proximo da visão utópica do Policarpo Quaresma, é necessário ações governamentais para melhorarias na doação de orgãos. Sendo assim, cabe ao MEC implementar o ensino de açãos solidárias em todo o país, por meio de mudanças na Base Comum Curricular com a obrigatoriedade dessa disciplina, sendo ensinado atos como doação de orgãos. Essa iniciativa teria como finalidade não só incentivar a vontade de ser um possível doador, mas também deixar nossa cultura mais empática e solidária. Além disso, as escolas devem convidar os pais para participar dessas aulas e assim contribuir para que, aos poucos, nossa sociedade vença os dilemas na doação de orgãos.