Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 11/01/2021

O primeiro transplante foi realizado em 1933 por um médico ucraniano para tratar uma insuficiência renal aguda. Analogamente, no Brasil, há uma grande demanda por transplantes e poucos doadores de órgãos pelos dilemas do preconceito e da falta de comunicação familiar. Observa-se, pois, a premência do desenvolvimento de estratégias para combater a insuficiência de órgãos doados.

Em primeira instância, desde o iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. Em contrapartida, há um grande preconceito para com a doação de órgãos pela falta de informação. Nesse sentido, muitas pessoas duvidam da irreversibilidade da morte encefálica e se sentem inseguras de autorizar a doação. Além disso, em virtude dos padrões culturais e crenças, há um grande estigma com a doação de órgãos e uma escassez de solidariedade e coletividade. Logo, é inegável que a carência de conhecimento e dogmas pessoais são dilemas da doação de órgãos na sociedade brasileira.

Para além dessa reflexão, parafraseando o escritor português Saramago, ainda nos falta muito para chegarmos a ser verdadeiros humanos. Sob essa ótica, a falta de comunicação familiar, no que se refere à permissão de doar órgãos dificulta ações humanizadas. Nesse viés, a lei brasileira afirma que a família deve permitir ou não a doação, mesmo enfrentando um momento doloroso e desconhecendo a vontade do ente falecido. Diante disso, muitos familiares negam a doação. Ademais, as instituições e equipes de transplante se concentram no Sul e Sudeste do Brasil, o que se traduz na escassa democratização de transplantes. Assim, é notório que a falta de comunicação familiar e a concentração de locais de transplante dificultam a doação de órgãos no Brasil.

Depreende-se, portanto, que o preconceito e a falta de comunicação familiar são entraves para o surgimento de doadores de órgãos. Desse modo, é basilar que o Conselho Federal de Medicina promova seminários educativos, por meio de palestras e debates, em suas plataformas digitais, acerca de informações da morte encefálica e da necessidade do diálogo familiar sobre a doação de órgãos, com o fito de mitigar o problema do excesso de demanda e carência de doadores. Destarte, a pátria brasileira poderá aumentar o número de transplantes e de vidas salvas.