Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 11/01/2021

A Constituição Federal promulgada em 1988 tem como princípio básico o direito à saúde. Contudo, os desafios para a doação de órgãos no Brasil fere a legislação. Isso ocorre devido à falta de políticas públicas efetivas e à ausência de conhecimento de grande parte da sociedade. Dessa maneira, essa realidade constitui um desafio a ser resolvido não somente pelos poderes públicos, mas também por toda a sociedade.

Inicialmente, é fulcral salientar que o filósofo Jean-Jacques Rousseau afirma que o Estado se responsabiliza pelo estabelecimento de condições básicas ao promover o bem-estar do âmbito populacional. Entretanto, a perspectiva defendida pelo intelectual não se concretiza na realidade hodierna, haja vista a falta de políticas públicas para o incentivo da doação de órgãos. Em vista disso, o Ministério da Saúde não promove campanhas informativas para a população, pois a maioria dos cidadãos não tem conhecimento de que apenas um doador pode salvar até cinco pessoas e que a taxa de doação segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) é inferior a 50% do total das mortes encefálicas. Logo, percebe-se que o Poder Governamental ao não efetivar o pensamento de Rousseau promove uma das causas do problema.

Ademais, é fato que a sociedade também é propulsora do imbróglio. Conforme Bauman, filósofo, a inexistência de vigor nas relações sociais, políticas e econômicas é a peculiaridade da “modernidade líquida” vivenciada na contemporaneidade. Diante de tal contexto, caso o problema continue sendo tratado da mesma maneira é evidente que o número de pessoas nas filas de espera para receber um órgão aumentará cada vez mais, para evitar esse impasse é necessário que a família do falecido quebre a ideia negativa sobre doar e pense nos aspectos positivos dessa nobre atitude, pensar que é a chance de salvar a vida de alguém e dar novamente o brilho da existência para quem muitas vezes não tem mais expectativa de viver muito tempo devido às condições de saúde em que se encontram.

Destarte, são necessárias medidas para amenizar essa problemática. Para isso, o Ministério da Saúde deve promover, por meio de verbas da União, campanhas nas redes sociais como Instagram e Facebook, para a conscientização da comunidade brasileira com o intuito de fazer as famílias refletirem sobre o quanto é indispensável o ato de amor ao próximo, e também não descartar a hipótese de poder ser o próximo a precisar de um órgão de um óbito de morte encefálica que estava em perfeitas condições para realizar a doação, mas não foi autorizado pela família. Além disso, é necessário que as escolas debatam causas importantes para a formação de senso critico dos estudantes, podendo assim eliminar em longo prazo a falta de doação de órgãos ainda no século XXI.