Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 12/01/2021

Dados da Agência Brasil mostram que o número de transplantes no Brasil aumentou mais de 60% entre os anos de 2004 e 2014. Embora seja uma conquista, o problema da doação de órgãos continua presente, visto que muitas pessoas morrem nas filas de transplante esperando a oportunidade de um novo órgão. Dessa forma, em razão do silenciamento e da educação deficitária emerge um problema complexo, que precisa ser revertido.

Primeiramente é preciso salientar que a falta de debate é uma causa latente do problema. Segundo Foucault, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Esse silenciamento e a falta de informação dificulta e muito na tomada de decisão, visto que a família se vê em um momento de luto à espera de um milagre onde tem a esperança que seu ente querido reaja. Diante disso, verifica-se uma lacuna em torno dos debates sobre a doação de órgãos, o que contribui com o aumento da falta de conhecimento da população sobre a questão, tornando sua resolução mas dificultada.

Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é a educação deficitária. De acordo com o filósofo Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. Sob essa lógica, se há um problema social, há como base uma lacuna educacional. No que tange a doação de órgãos, verifica-se uma forte influência dessa causa, uma vez que a escola não tem cumprido seu papel no sentido de reverter e prevenir o problema, uma vez que não tratam esse assunto como uma causa superimportante.

Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Para isso, é preciso que as escolas, em parceria com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversas e debate sobre a questão no ambiente escolar. Tais eventos, podem ocorrer no período do contra turno, contando com a presença de professores, especialistas no assunto, a família e alguém que já passou por um transplante. Na conversa é fundamental que o especialista explique o conceito de morte encefálica (definição legal de morte) e deixe claro que é algo irreversível. Isso faz com que as pessoas esclareçam as dúvidas, tomem suas decisões e se tornem cidadãos atuantes na busca de resoluções. Além disso, contar com a presença de um transplantado e ouvir seu relato, é ver de perto o quão essa causa é extremamente importante e o quão necessário é a discussão em torno desse assunto. A partir dessas ações, poderá se consolidar um Brasil melhor, mais solidário e mais empático.