Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 12/01/2021

Segundo o escritor Franz Kafka, “a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana”. No entanto, obstáculos coletivos ainda prejudicam a doação de órgãos e a tornam um dilema. Dentre as diversas causas desse impasse, destacam-se o posicionamento contrário das famílias em consonância à insuficiência da divulgação de informações.

Em primeiro plano, é necessário analisar como a concepção familiar interfere no prolongamento de vidas. Infere-se que , em conformidade com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), 43% das famílias recusaram a cessão de partes anatômicas de seus parentes em 2018. Nesse sentido, ao impedir a realização de tal ação, o indeferimento da parentela influencia, negativamente, no sucesso de transferências fisiológicas que salvam pessoas. Dessa maneira, constata-se o poder prejudicial da posição oposta de familiares à concessão de órgãos.

Além da negação dos parentes, cabe comentar, também, as dificuldades impostas aos indivíduos provocadas pela carência na comunicação. Observa-se que, de acordo com a Constituição Federal, promulgada em 1988, o acesso à informação é um direito dos cidadãos. Entretanto, os conhecimentos sobre morte encefálica, evento condicional para a retirada de unidades anatômicas após o falecimento, são pouco divulgados e, consequentemente, há uma desconfiança da população sobre esse procedimento. Por conseguinte, a escassez da difusão de dados se revela um entrave ao transplante de estruturas humanas.

Portanto, nota-se que a contraposição parental e a falta de informações são empecilhos á doação de órgãos. Logo, cabe ao Ministério da Saúde criar um plano de incentivo aos transplantes humanos, por meio de palestras ministradas por médicos sobre a segurança das operações e a importância da cessão de partes fisiológicas, a fim de prolongar a vida da população ao longo dos anos. Afinal, assim como a perspectiva de Kafka, espera-se valorizar a humanidade mediante à solidariedade.