Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 13/01/2021

A Constituição Federal, em seu artigo 6º, assegura o direito à saúde aos cidadãos brasileiros. Contudo, esse documento é ferido com os desafios sofridos pela doação de órgãos no país, os quais agravam complicações e levam muitos pacientes à morte. Desse modo, essa problemática é intensificada ora pela falta de conhecimento da população, que não conhece o processo, ora por a inoperância estatal, que não conta com medidas de incentivos a esses atos. Dessa forma, exigem-se medidas paliativas.

A princípio, é válido salientar do primeiro transplante no mundo, realizado por Edward Munray em 1954, e como, a partir dessa data, esse processo tornou-se corriqueiro na sociedade. Entretanto, mesmo comum, as transmissões ainda sofrem dificuldades no cenário brasileiro, como, a título de exemplo, a falta de conhecimento da população, uma vez que ela não entende sobre esse processo e inexistem esclarecimentos sobre o assunto, que contribui para a diminuição de doadores. Posto isso, no documentário “Anjos da Vida: Em busca da doação de órgãos”, mostra a cena de uma enfermeira que aborda uma família de maneira correta e a convence a autorizar a dação, o que evidencia que a informação é uma das chaves para superar esse impasse.

Outrossim, a filósofa Hannah Arendt, em seu arcabouço de banalidade do mal, postula que o Estado negligencia situações problemáticas na sociedade. Visto isso, essa teoria aplica-se à realidade brasílica, haja vista que o Governo e suas instâncias da saúde negligenciam os desafios enfrentados pelo processo doário, como a ausência de ações incentivadoras e a perda de unidades vitais já doadas, e agem com total descaso. Segundo pesquisas da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), mais de 70% desses elementos doados não são transplantados a tempo, devido à falta de logística e estruturação dos centros hospitalares, que explicita que quando a negligência e despreparo são regras, o bem-estar é exceção.

Por conseguinte, compete ao Ministério da Saúde, em parceria com os âmbitos hospitalares, capacitar profissionais a ministrarem oficinais e debates nos postos e hospitais que instruam e mostrem aos cidadãos a importância doaria, a fim de melhorar o entendimento e estimular possíveis doadores. Do mesmo modo, o Governo Federal, em acordo com o órgão supracitado, deve aplicar investimentos adequados, oriundas de um programa de realocação de verbas, que visem a preservação das unidades vitais e a efetivação dos transplantes no país, de modo a evitar perda das unidades funcionais e vidas por despreparo e falta de estrutura. E só assim, com medidas graduais e progressivas, será possível diminuir os desafios para doação de órgãos no país e fazer valer a Carta Magna de 1988.