Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 07/02/2021

No documentário ‘‘Anjos da Vida’’ -Em busca da doação de órgãos- é acompanhado o trabalho dos médicos e enfermeiros da Unicamp, responsáveis por encontrar doadores em potencial e captar órgãos e tecidos. É evidenciado, a corrida contra o tempo em salvar aquele órgão, mas antes disso, a dificuldade de mostrar a doação como uma possível alternativa para a familía. Infelizmente, no Brasil a falta de conhecimento sobre a doação e a desconsideração da vontade do doador em vida, resulta em uma longa fila de espera para transplantes.

Em primeiro lugar, é importante destacar que a doação de órgãos é uma nova oportunidade de vida pelo grande avanço da Medicina. Sendo assim, quando não há mais um meio de tratamento para determinado órgão, é necessário substitui-lo. Entretanto, o Brasil tem apenas uma forma efetiva de autorizar a doação que é pela familía e muitas vezes ela não encontra- se devidamente informada do procedimento ou recusa a ouvir devido ao momento de luto. Pela falta de informação, muitas vezes a doação não ocorre.

Ademais, existe um formulário judicial em que o doador em vida pode declarar a sua vontante. Mas é quase irrelevante, visto que sua familía tomará a última decisão. Além disso, o formulário não atinge todas as idades e nem todas as pessoas o conhece. De acordo com o Serviço de Procura de Orgãos e Tecidos em 2013 44% dos familiares recusaram doar os órgãos. Logo, a longa fila não é atendida pela falta de debate na sociedade.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. O Ministéro da Saúde deve diminuir ao máximo a fila de espera, por meio de um projeto de lei a ser entregue à Camâra dos Deputados. Nele deve estabelecer que ainda em vida, como regra, o desejo do sujeito de ser doador deve ser respeitado, independentemente da familía a fim de naturalmente gerar um debate entre as familías. Somente assim, será possível aumentar a doação de órgãos e tecidos no Brasil.