Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 22/03/2021

“A esperança de uma vida digna, longe dos leitos dos hospitais, pode estar na morte.” A frase, do Dr. Drauzio Varella. Nesse contexto, todos os anos milhares de brasileiros esperam que a morte de alguém lhe traga essa esperança-por meio da doação de órgãos- e outros milhares de heróis anônimos estão dispostos a dar uma parte de si para salvar vidas. Entretanto, embora os transplantes tenham-se tornados frequentes, certos tabus religiosos e a estrutura precária do sistema de saúde ainda dificultam a chance de sobrevida de muitas pessoas.

Primeiramente, vale ressaltar o preconceito religioso perante a doações de órgãos, uma vez que algumas seitas religiosas em seus dogmas cristãos, consideram-se essa prática como pecado. De fato, essa realidade relaciona-se a teoria Foucaltiana a qual afirma que as pessoas mostrem serem livres do que pensam, para transpor pensamentos errôneos construídos em outros momentos históricos. Dessa forma, a mudança na postura conservadora da sociedade, é primordial para garantir a facilidade no andamento do processo de doação. Nesse sentido, o fator principal o qual provoca à recursa estar relacionado ao fanatismo religioso impregnado nas pessoas, as quais possuem dificuldades de entender a condição em que um possível doador se encontra, quando há morte encefálica, isto é, com o cérebro morto, mas os demais órgãos funcionando, para alguns é difícil de aceitar a morte do paciente.

Em segunda análise, é primordial destacar o descaso estatal em relação a criação de estruturas para atender não só processo de doação, como também apoio psicológico a família do doador. Logo, essa negligência associa-se a teoria filosófica de São Tomás de Aquino, todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem os mesmos direitos e deveres, além da mesma importância perante o Estado. Desse modo, é notável que o Poder Público não cumpre seu papel como agente fornecedor de direitos mínimos, já que a ausência de criação de postos de atendimento e orientação popular e também a precariedade nos hospitais públicos que realizam transplantes. Nessa lógica, esses impasses estruturais expostos, fomenta o medo e a insegurança aos futuros doadores, os quais são estimulados por mitos relacionados ao tráfico de órgãos.

Portanto, é fulcral que o Ministério da Educação aliado ao Ministério da Saúde, deve promover campanhas orientadoras com profissionais como, professores e psicólogos, os quais abordariam assuntos de informação sobre o processo de doação, por meio de aulas e palestras. Ademais, é importante salientar a participação do Governo Federal em parceria com Secretarias de Saúde de cada estado disponibilize verbas para a construção de hospitais e forneça a estrutura necessária para o processo de doação. Só assim, o Brasil tornará de fato um país em excelência  em transplantes.