Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 23/03/2021
No filme “Sete Vidas “, o protagonista decide doar seus órgãos a sete indivíduos de que necessitam do transplante de órgãos para darem continuidade à vida. Sob essa ótica, a obra contradiz com a realidade brasileira, tendo em vista, na dificuldade da realização desse ato, como também, no diálogo familiar em relação aos benefícios da doação. Por isso, torna-se imprescindível educar esse público para sanar essa negligência com a vida. Em primeira análise, de acordo com o artigo 6º da Constituição Federal Brasileira, o rol exemplificativo tipifica a saúde como direito social e fundamental da sociedade. Diante disso, é pertinente identificar o preconceito na sociedade contemporânea, principalmente no âmbito familiar sob o aspecto da doação de órgãos em prol da vida. Muitos pacientes vitimados por AVC (acidente vascular cerebral), por transtornos cerebrais, assim como, por morte encefálica que ocasiona perdas irredutíveis à mobilidade e à função cognitiva e neural. Ademais, é notória a dificuldade em consolidar os inúmeros benefícios do transplante de órgãos atualmente, tendo em vista, o impacto religioso e psicológico generalizado pela ausência da vida humana. Contudo, vale ressaltar a discrepante melhoria social valendo-se da doação como solução aos pacientes condenados à morte. Além disso, com base nos dados fornecidos pelo o Ministério da Saúde, em 2017, 50% das famílias brasileiras se recusavam a aceitar a doação de órgãos. Com isso, é importante destacar a falta de uma linguagem mais flexível entre médico, paciente e familiares onde em conjunto firmem o procedimento de doação e transplante de órgãos com base na lei 9434/98 que dispõe de todas as diretrizes relacionadas. Ademais, é nítido a causa-consequência desse ato, o que favorece menos gasto dos recursos públicos diante da diminuição dos leitos, assim como, no restabelecimento da saúde como prioridade, na busca da ressocialização das atividades sociais e principalmente no bem-estar psicológico e cognitivo, interações essas desprovidas antes por suas disfunções biológicas e fisiológicas. Sob esse viés, o filósofo grego Platão, afirma que não basta viver, tem que viver bem. Portanto, medidas exequíveis devem ser apresentadas com o intuito de sanar o dilema da doação de órgãos na sociedade brasileira. Urge que, o Tribunal de Contas da União direcione capital para o Ministério da Saúde, com a finalidade de propagar a vida e a importância da doação de órgãos por intermédio de debates comunitários, e rodas de discussão gerenciados por médicos e psicólogos nas UBS´s (Unidades Básicas de Saúde). Ademais, o Governo Federal juntamente com a FAB (Força Aérea Brasileira) solicite prioridade no deslocamento dos transportes de órgãos, tendo em vista a dificuldade na logística de transporte. Desse modo, o diálogo e a informação serão caracterizados como pré-requisitos para uma prazerosa vida, como afirma Platão.