Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 31/03/2021

Transplante de orgãos é um dos grandes avanços da medicina contemporânea, que a partir da doação de uma única pessoa possibilita que 8 vidas sejam salvas, segundo pesquisas do Ministério da Saúde. Entretanto, apesar de ser muito relevante esse procedimento, no hodierno brasileiro 45% das famílias recusam-se autorizar a doação de orgãos e tecidos de seus entes falecidos. Essa impasse é causado pela desinformação dos familiares acerca desse processo e dificultada pelos inúmeros problemas no Sistema Único de Saúde (SUS), gerando, mortes de muitos pacientes que estão na lista de espera para a doação.

Em primeiro plano, é válido destacar que a falta ou ausência de informações a respeito do transplante de orgãos, uma das razões dessa problemática. Isso se justifica porque, na série médica “The good doctor”, a mãe de uma paciente falecida, nega-se doar a pele de sua filha, devido acreditar que ela se recuperaria, embora ter sido declarado morte encefálica pelos médicos. Não distante da série ficcional, grande parte dos brasileiros possuem muitas dúvidas e estigmas relacionados a esse procedimento médico, tornando-se um impasse para que a doação ocorra. Nesse sentido, cabe ao Governo Federal a criação de projetos que visem informar sobre a doação de orgãos e tecidos humanos.

Ademais, cabe ressaltar que a transplantação de orgãos torna-se ainda mais dificultada, motivado pelos problemas já existentes no sistema público de saúde do Brasil. Isso ocorre porque, conforme a canção “Sem saúde”, do cantor Gabriel pensador, grande maioria dos hospitais e postos de saúde do país apresentam algum entrave, como demora nos atendimentos, ausência de instrumentos e falta de humanização dos profissionais da saúde, explicitados na música. Logo, conclui-se que, diante dos obstáculos presentes, muitos familiares de pacientes falecidos negam a doação, principalmente, pela falta de empatia dos médicos e enfermeiros durante o luto. Dessa forma, é necessário a capacitação desses trabalhadores para atender melhor os pacientes.

Portanto, cabe ao Ministério da Saúde (MS), em paceria com o Ministério da Educação (MEC) a criação de projetos, em escolas do país - pública e privadas- que visem informar os estudantes sobre a doação de orgãos. Isso se realizará por meio de palestras e debates acerca do assunto, a fim de sanar as dúvidas e conscientizar os alunos a fazerem doação. Além disso, cabe ao Governo Federal, a criação de projetos profissionalizantes de médicos e enfermeiros - que atuam em hospitais públicos e privados- de forma obrigatória, para atenderem melhor os pacientes e familiares de doentes. Isso acontecerá por meio de palestras e debates com psicólogos ou especialistas no tema. Feito isso, espera-se que o ocorrido na série canadense “The good doctor” não torne novamente a realidade brasileira.