Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 17/04/2021
O livro “Procura-se um coração”, de Lucia Seixas, conta a vida da adolescente Manuella e de sua mãe, Ana, que sofre de um problema de coração e acaba entrando na fila para transplante. Toda família se entristece e a história relata o angustiante processo vivido. De maneira análoga, muitas famílias se localizam nesta situação pelo Brasil e estão sem perspectiva de melhora, uma vez que amplos são os fatores que diminuem a aprovação da doação de órgãos e igualmente amplos são os empecilhos para que a doação efetivamente aconteça pelo Brasil.
A partir dos avanços tecnológicos, a medicina foi desenvolvendo novas práticas e, com o tempo, as técnicas de doação de órgãos foram aprimoradas. No Brasil estabeleceu-se para estas uma regulação específica de controle que aceita a doação somente após a autorização familiar e estabelece um pré-requisitos básico para o doador: morte encefálica comprovada. Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, 43% das famílias com vítimas desta morte negaram a doação em 2018. Tal percentual alto de negação deve-se, principalmente, pela grande desinformação sobre a morte encefálica – muitas pessoas ainda acreditam ser reversível – e devido a religiões, que muitas vezes não compactuam com a doação.
Embora o Brasil seja o segundo maior país transplantador no mundo, evidencia-se inúmeros fatores, além das preconcepções familiares, que limitam a expansão da doação pelo território. Para Fabiana Moreira, coordenadora da Secretaria da Saúde no Estado do Mato Grosso, destaca-se a delonga na notificação da morte encefálica, o que inviabiliza a doação e compromete a qualidade dos órgãos. Outro limitante notável é o tráfico de órgãos que, apesar de ser pouco explorado pela mídia, é desencadeado pela falta de doadores e pela imensa fila de espera e, em uma sucessão de fatores, também impede a diminuição desta fila.
Em suma, ser coparticipante da doação de órgãos infere salvar vidas. Assim sendo, visando reduzir os principais fatores restringentes para a doação, cabe ao Ministério da Saúde desenvolver projetos publicitários, em vias públicas e redes sociais, que esclareçam duvidas e incentivem o desejo de doar órgãos, como também a manifestação externa deste desejo. Unindo-se ao Ministério da Educação, tais projetos devem ser inseridos no ambiente escolar e universitário a fim de incentivar a juventude brasileira e torna-la mais consciente, visto que está é considerada o futuro do país.