Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 18/04/2021

A série médica norte-americana “Greys Anatomy”, retrata em alguns de seus episódios, o dilema e as dificuldades enfrentadas em relação a temática da doação de órgaõs dentro do hospital Seatlle Grace. No entanto, fora da ficção, é perceptível que ainda existem desafios que impedem um aumento significativo do número de doadores na realidade do Brasil. Nesse cenário, isso se deve, não somente pelos mitos e tabus que permeiam o assunto, mas também pela falta de infraestrutura adequada.

Em primeira instância, sabe-se que um transplante ainda é um tema rodeado de tabus e medos para a maior parte da população brasileira. Segundo Voltaire, o preconceito é opinião sem conhecimento. Diante disso, as palavras do filósofo são validadas quando se percebe a falta de conhecimento das famílias, quando se recusam a permitir a doação de órgãos de seus falecidos, seja pelo fato de desconhecerem o significado de morte cerebral, pelo temor da antecipação da morte, ou até mesmo, muitas vezes os próprios familiares não possuem a consciência de que se era desejo do ente a vontade de ser um doador. Desse modo, a discussão voltada a essa questão precisa ser aprofundada para que esses “achismos” sejam desmitificados.

Outrossim, outro desafio dificulta que o aumento da doação seja realidade no Brasil: a falta de uma infraestrutura para que seja realizada transplantes em curtos espaços de tempo. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil é referência mundial no que tange ao maior sistema público de transplantes, já que, 96% dessas transplantes são realizadas pelo SUS. Entretanto, apesar de possuir um número recorde, o país aproveita apenas 30% dos órgãos doados, pois carece de uma logística eficiente, que deveria garantir a adequeada conservação do órgão a ser doado, transportes adequados, como o áereo e, também, equipamentos especializados, na qual se sabe que essa não é a realidade de grande parte dos hospitais brasileiros. Dessa maneira, muitos indivíduos até aceitam ser doadores, mas a inexistência de recursos para tal, acaba contribuindo para a persistência dessa realidade.

Ante o exposto, medidas são necessárias visando mitigar os entraves à resolução dessa problemática. Por isso, é dever do Ministério da Educação, em parceria com as escolas, incluir na grade curricular, principalmente nas aulas de biologia, um ensino mais detalhado do processo e da sua importância para ajudar o próximo, com o fito de introduzir previamente o conhecimento aos cidadãos e garantir que no futuro possuam as condições de tomar decisões de forma consciente. Assim, espera-se que o aumento de doadores seja uma futura realidade vivenciada no cotidiano da nação verde-amarela.