Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 03/06/2021

No documentário brasileiro “Anjos da vida” há a exposição da perspectiva das doações de órgãos no Brasil a partir de uma abordagem crítica de todo o processo que envolve essas doações. A obra evidencia, principalmente,os dilemas da equipe médica durante a captação de órgãos,desde a conversa com a família do doador, até o transporte e o transplante. Porquanto, há muitos desafios a serem superados e, assim, torna-se indispensável a ampliação de políticas públicas, a fim de fomentar a doação. Nesse sentido, para a melhor avaliação, é importante ressaltar a infraestrutura hospitalar precária e a ineficácia comunicativa durante o processo burocrático.

Nesse contexto, em face de uma análise histórica, nota-se a reverberação de uma estrutura hospitalar precária, de modo a dificultar o processo do sistema de transplante do Brasil.Concomitante a isso, de acordo com o Serviço de Procura de Órgãos e Tecidos, o país não está preparado para viabilizar um sistema maior,visto que existe uma escassez de profissionais nas UTIs. Dessa forma, não se é válido aumentar a população de doadores se não houver uma infraestrutura para acompanhar a oferta de órgãos.

Somado a isso, a ineficácia comunicativa dificulta a captação de órgãos, uma vez que, muitas vezes os profissionais da saúde utilizam um vocabulário específico e não auxilia o entendimento dos leigos no processo burocrático. Isso se faz ratificado pelo filósofo Michel Foucault, em sua obra “ Microfísica do poder”, a qual denuncia a linguagem excessivamente rebuscada como forma de dominação e controle.A exemplo disso, uma pesquisa do Ministério da Saúde revelou que 70% da recusa familiar em liberar os órgãos para doação é o não esclarecimento adequado do falar médico. Logo, urge uma comunicação menos tecnicista e mais acolhedora.

Em suma, observam-se os impasses para a efetiva doação de órgãos. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde assegurar o pleno funcionamento dos hospitais, mediante supervisão e contratação de profissionais especializados na área, com vistas a suprir uma maior demanda de transplantes. Ademais, compete ao Ministério da Educação potencializar a comunicação entre familiares e profissionais da saúde, de modo a esclarecer as dúvidas relacionadas ao processo burocrático, por meio da implementação de aulas de retórica e dialética na diretriz dos cursos da área de saúde, com o fito de proporcionar um contato mais humano no processo. Dessa forma obter-se-á uma redução dos impasses expostos no documentário.