Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 26/04/2021
O documentário ‘’Anjos Da Vida’’, disponível no Youtube, mostra a realidade brasileira acerca dos desafios para captar doadores em potencial e a captação de órgãos. Na esteira desse processo, o Brasil é o segundo país que faz mais transplantes de tecidos no mundo, tendo leis que contribuem para o aumento desses números. Entretanto, devido a falta de informação e estruturas necessárias para alavancar esse procedimento, as consequências geradas por esses problemas afetam o bem estar dos indivíduos que dependem da doação de órgãos e, também, a eficiência do sistema de saúde brasileiro. Em primeira análise, é imperioso salientar que o Brasil tem o maior sistema público de transplantes de órgãos no mundo. Nesse sentido, de acordo com dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), nos últimos dez anos o número de transplantes aumentou em mais de 60%, colocando o país em destaque nesse cenário. Sob essa perspectiva, o filósofo John Stuart Mill, em seu princípio da maior felicidade, defende que a ação moralmente certa é aquela que maximiza a felicidade para o maior número de pessoas. Nessa visão, a doação de órgãos torna-se um dos pilares sustentadores dessa tese, pois a realização desse ato salvou mais de 22000 pessoas em 2019. Logo, é evidente que o transplante de tecidos contribui para efetivação e construção do bem estar da sociedade brasileira. Por outro lado, mesmo com os avanços e comprometimento das equipes multiprofissionais envolvidas nessa ação, a terra verde e amarela ainda sofre com as implicações causadas pela desinformação. Segundo o médico especialista Dr Luís Gustavo de Freitas, a desinformação a respeito das regras, do protocolo e das formas de doação são alguns dos empecilhos para o transplante de órgãos no país. Nesse sentido, dados do Ministério da Saúde revelam que cerca de 43% das famílias brasileiras ainda se recusam a doar órgãos por medo, crença religiosa e desconhecimento no assunto. Sendo assim, a perpetuação dessa problemática é um desafio que a terra tupiniquim deve combater.
Dessa forma, medidas compartilhadas entre Poder Público e Sociedade Civil são necessárias para combater esse hematoma social. Nessa égide, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com os veículos midiáticos, fomentar campanhas de divulgação, informando sobre as regras e protocolos da doação de órgãos, quebrando alguns mitos e informando, assim, toda população. Ademais, o Ministério da Educação deve criar projetos de especialização nas universidades com o intuito de formar profissionais especializados e capacitados em transplantes, não apenas na área da saúde, mas, também, na área da logística, fazendo com que todos os setores da saúde tenham a organização e eficiência necessárias para o desenvolvimento dessa área. Feito isso, o Brasil conhecerá o princípio da maior felicidade defendido por Jhon Stuart Mill.