Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 10/05/2021
O artigo 5 da Constituição Federal garante o direito á vida. Na esteira desse processo, a negação á doação de órgãos vai contra esse direito social. Nesse sentido, as consequências geradas por esse problema são longas filas para transplante, ocasionando a morte inúmeros brasileiros que poderiam ser evitadas, constituindo-se, assim, como uma barreira para o desenvolvimento pleno.
Em primeiro lugar, é imperioso salientar que ocorre um grande contigente de notícias falsas vinculadas aos profissionais da saúde. Nesse viés, dados divulgados pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, a taxa de recusa da família é em torno de 43%, sendo uma das maiores causas a desinformação sobre o assunto, causada em sua maioria por conta das “fake news”.
Sob essa perspectiva, a terra verde amarela carrega em seu bojo as sequelas desse estigma social. Outrossim, sabe-se que a fila de transplante é muito longa, e há casos como o do menino Pedro Pavesi, que estava vivo e deve seu laudo de morte forjado para a retirada dos seus órgãos. Casos como esse reforçam o medo dos familiares, que cada dia mais se recusam a realizar a doação, aumentando cada vez mais a fila e diminuindo a esperança dos indivíduos que precisam.
Dessa forma, medidas compartilhadas entre poder público e sociedade civil são necessárias para combater esse hematoma social. Nessa égide, o Estado, através do Ministério da Saúde, deve promover por meio de verbas governamentais, campanhas públicitárias nas redes sociais utilizando influenciadores digitais, detalhando o funcionamento das normas éticas dos médicos, e mostrando como a doação é realizada e sua importância. Além disso, o Ministério da Educação, deve implementar aulas na disciplina de biologia na grade do ensino médio, que mostrem detalhadamente todo o processo de transplante, a combinação dessas medidas, ensinará a real necessidade da doação. Feito isso, o direito garantido pela Constituição será, de fato, uma realidade.