Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 11/05/2021
Segundo as ideais do químico francês Antoine Lavoisier, ‘‘Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma’’. Similarmente, o sistema de transplantes brasileiro demonstra como até mesmo estruturas biológicas não precisam ser perdidas, visto que toda forma de doação de órgãos ou de tecidos é extremamente transformadora para outras vidas. Todavia o transplante de órgãos no Brasil, não recebe o devido destaque, sendo necessárias alternativas para potencializá-lo, seja a partir do aumento de diálogo com as famílias sobre a importância dessas doações, seja por meio da maior visibilidade pública acerca do assunto.
A princípio, é imperativo debater a responsabilidade e a consciência familiar no processo de autorização da doação de órgãos dos seus parentes recém falecidos. Nesse contexto, vale ressaltar a mensagem do ativista norte-americano Marthin Luther King, ao afirmar que ‘‘Toda hora é hora de fazer o que é certo’’, a saber que é legalmente estabelecido que as famílias devem autorizar a retirada dos órgãos de seus parentes finados para ocorrer a doação. Desse modo, campanhas de conscientização relacionadas à importância do transplante na vida de diversas pessoas devem ser implantadas, com o objetivo de reduzir a negativa familiar, maior motivo da não doação de órgãos no país, conforme pesquisas da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Logo, a educação e a informação devem direcionar as famílias positivamente, aumentando o número de órgãos disponíveis no país para aqueles que precisam.
Ademais, o destaque midiático acerca do assunto é de extrema significância, uma vez que ao retratar a importância da doação de órgãos em novelas e propagandas, a representatividade alcança mais famílias. Nesse viés, a influência da televisão na formação social deve ser usufruída, como na música ‘‘Televisão’’ dos Titãs, banda de rock nacional. Analogamente, embora a canção critique os efeitos negativos do aparelho televisivo, o poder de persuasão das emissoras deve ser usado para o bem, instruindo o público acerca dos transplantes de órgãos, bem como da importância de que as autorizações familiares ocorram. Portanto, grandes veículos televisivos precisam lançar campanhas e enredos que influenciem os telespectadores a se informarem sobre a temática.
Sendo assim, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com a ABTO, conscientizar as possíveis famílias doadoras, por meio de mutirões e de palestras, nas quais relatos de pessoas que receberam órgãos seriam divulgados, a fim de demonstrar as vantagens do transplante. Além disso, emissoras televisivas devem ampliar a visibilidade do tema, por intermédio de campanhas incentivadoras da prática, com o fito de aumentar as autorizações familiares para as doações de órgãos no Brasil.