Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 11/05/2021
Na série, Sob Pressão da Globoplay evidencia em um de seus episódios a discussão entre um médico e uma mãe de um jovem que acabou de sofrer um acidente, o qual ocasionou a morte encefálica dele.Assim, a mãe não aceita que seu filho seja um doador de órgãos devido ao apego e também pela falta de conhecimento a respeito da morte cerebral, sem dúvida, fora da ficção tal contexto é vivido pelos brasileiros, os quais na maioria desconhecem a importância de ser um doador.Diante disso, torna-se passível de debate as causas que dificultam o procedimento de doação, como a não aceitação familiar e o despreparo da equipe médica ao conversar com os parentes.
Nesse sentido, em uma primeira análise, vale destacar que a ausência de informação por parte da família é um dos fatores que fazem persistir a baixa taxa de doação de órgãos.Desse modo, o escritor e psiquiatra português António Lobo Antunes, alega que um povo com acesso a leitura, ou seja, conhecimento ao nunca será um escravo.Nessa perspectiva, as famílias em sua maioria não têm a leitura como uma forma de obter a compreensão sobre a morte encefálica, o que faz que estas sejam escravas da ignorância e com isso não aceitam que seus filhos, pais ou primos se tornem uma doador depois que sua morte já foi decretada..Logo, a resistência da família brasileira para assinar os papéis e fazer acontecer o processo de transplante deixa a fila de receptores ainda maior.
Nessa lógica, nota-se como outro impasse a falta de preparo médico para conversar com os familiares.Dessa forma, Habermas, filósofo alemão, saliente que a linguagem é uma verdadeira forma de ação, nesse prisma, uma maneira de ir até a família noticiar a morte e perguntar se o falecido é um doador ou se eles autorizam a doação afetam a ação, no caso do procedimento cirúrgico. No entanto, como visto na série brasileira já exposta acima, a realidade não se diferencia, principalmente, pela forma que os médicos questionam e discutem com os familiares devido estes terem pensamentos e crenças diferentes. Nesse contexto, ir aos familiares com cautela e paciência, junto com profissionais como psicólogos, ajudaria na compreensão familiar e facilitaria a aceitação do transplante de órgaões.
Por fim, é indispensável atenuar os problemas citados.Portanto, cabe ao governo em parceria com o Ministério da Saúde palestras nas instituições de ensino, sobre a importância de entender a morte cerebral e a fornecer do processo de doação para outras vidas, isso pode ser feito com profissionais especializados no assunto junto com psicólogos.Além disso, tal ação pode ser realizada nos pátios das escolas em horários extraclasse para que a comunidade local também tanham acesso a essas informações ,e,deve também às equipes médicas responsáveis pelos transplantes serem mais instruida na formação acadêmica para conversar com os familiares do possível doador após a morte.