Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 17/05/2021
Segundo a Lei da Inércia, de Newton, a tendência de um corpo é permanecer em seu estado inicial quando a força resultante exercida sobre ele é zero. Fora da Física, é possível perceber a mesma condição no que diz respeito aos dilemas enfrentados pela doação de órgãos, tal qual o comércio ilegal e o consentimento familiar sobre a doação, que segue sem uma intervenção que os resolvam. Diante dessa perspectiva, evidencia-se a necessidade de promover melhorias no que tange à tais obstáculos, que persistem, respectivamente, em virtude da insuficiência legislativa e da falta de conhecimento por parte da maioria das famílias.
Em primeira análise, convém ressaltar a ineficiência da lei como um dos empecilhos que impedem a neutralização da venda de órgãos. O filósofo John Locke defende que “As leis foram criadas para os homens e não para as leis”. Ou seja, ao ser criada uma lei, é preciso que ela seja planejada para melhorar a vida das pessoas em sua aplicação. No entanto, tal premissa não se faz presente na realidade brasileira quanto à venda de órgãos, que é ilegal no país, mas persiste sua prática devido à falha legislativa, o que, consequentemente, tira a oportunidade de pessoas prioritárias nas filas de transplantes receberem o órgão necessitado para a melhoria de suas condições de saúde.
Outrossim, a falta de conhecimento familiar consiste num entrave à doação de órgãos. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Esse pensamento implica que se os indivíduos não têm acesso à informação séria acerca do assunto sua visão será limitada e distante do real, o que justificaria o não consentimento das famílias sobre a doação de órgãos, uma vez que, a maioria delas não possui conhecimento relativo ao pós-doação.
Urge, portanto, que medidas estratégicas sejam criadas para reverter esse cenário. Logo, é necessário que as mídias de grande alcance veiculem, através de propagandas em horários distribuídos ao longo do dia para garantir uma maior visibilidade, dados que revelem o panorama pós-doação, dando enfase no número de beneficiados por esse ato, podendo, também trazer tais pessoas para relatarem como a doação de órgãos melhorou suas vidas. Visando, assim, ampliar a visão dos telespectadores a respeito do tema e despertar neles um sentimento de empatia, fazendo com que, no futuro, concordem com a doação dos órgãos dos seus parentes falecidos.