Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 28/05/2021
O mês de setembro foi intitulado em 2015 como “Setembro Verde”, com o objetivo de se tornar uma campanha de conscientização à doação de órgãos. No entanto, não tem surtido muito efeito, haja vista o tabu ainda existente acerca dessa prática, o qual faz com que, segundo o Ministério da Saúde (MS), 43% das famílias recusem a doação de órgãos de seus parentes. Nesse contexto, a ausência de uma abordagem midiática persistente sobre esse tema, e a má distribuição no país colaboram para que as baixas estatísticas de doações não mudem.
Em primeira análise, é válido retomar o aspecto supracitado sobre o desinteresse governamental em disseminar a importância dessa atitude que salva vidas. De acordo com Socrátes, “Existe apenas um bem, o conhecimento, e um mal, a ignorância”. Sob essa lógica, as propagandas servem como uma forma de despertar conhecimento na população sobre o drama vivido por várias de pessoas que aguardam uma chance de viver em filas de transplante que, ainda segundo o MS, pode durar até 18 meses. Porém, com o déficit na abordagem desse assunto a ignorância social é intensificada, o que dificulta ainda mais a conscientização e comoção populacional.
Ademais, a realização de transplantes não é eficiente em todo o país, haja que vista que algumas regiões não são tão estruturadas. Desde o início da urbanização, em 1960, há segregação de regiões, tendo em vista que a escolhida para receber os maiores investimentos governamentais foi a Sudeste. Por conseguinte, vestígios dessa má distribuição ainda são evidentes e têm efeitos aplicáveis ao sistema de transplante, pois de acordo com dados do MS, algumas regiões ainda não possuem cultura de transplante por apresentarem pouca tecnologia, treinamento e acompanhamento. Assim, tal inoperância governamental dificulta a equiparação nacional e a solução da problemática.
Em suma, é imprescindível a mitigação dos desafios para combater a debilitada doação de órgãos. O Ministério da Educação, portanto, deve, por meio da modificação da base curricular, incluir o ensino detalhado da doação de órgãos e da sua importância nas aulas ciências biológicas e sociais, a fim de um desenvolvimento social consciente. Outrossim, o Poder Executivo, por meio de fiscalizações mais rígidas, deve garantir que todas as políticas públicas destinadas ao setor de transplante chegue de forma igual a todas as regiões do país, para assim aumentar a chance de vida da população necessitada. Diante da articulação dessas medidas, poder-se-á alcançar o bem declarado por Socrátes, e uma população com as mesmas oportunidades em todas as regiões.