Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 31/05/2021

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil é referência global no âmbito de doações de órgãos, ocupando o segundo lugar na classificação mundial. Apesar disso, o país ainda não conseguiu superar a meta de 16,5 doadores por milhão de habitante, conforme a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO). Nesse sentido, torna-se evidente como causas o individualismo, bem como a falta de estruturas de coleta e transporte de órgãos.

Em princípio, deve-se ressaltar a falta de estruturas de coleta e transporte de órgãos no Brasil. Consoante ao jornal O Globo, em 2018 o país perdeu em média três órgãos auxiliares a doação por dia. Dessa maneira, os dados demonstram como as estruturas de manuseio desses elementos essências para os seres humanos não são seguras. Esses órgãos, após serem adquiridos possuem um prazo de “validade”, em função disso, necessitam que sejam transportados o mais rápido possível, contudo as inconsequentes maneiras de transporte estão causando prejuízos a saúde e em alguns casos a morte das pessoas que necessitam dessas doações, além de fazer com que a meta da ABTO não seja realizada. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Ademais, vale saliente o individualismo como agravante dos desafios existentes na doação de órgãos. Infelizmente, grande parte da população apresenta pouca ou nenhuma solidariedade com as pessoas que necessitam de uma doação. Em concordância com o sociólogo polonês Zigmunt Bauman, que afirma a falta de solidez nas relações sociais são características da “modernidade líquida” vivida no século XXI. Diante de tal contexto, o egocentrismo presente na sociedade contemporânea traz graves consequências para os indivíduos que aguardam ansiosamente por uma doação, visto que essas pessoas sempre se colocam em primeiro lugar em relação aos demais. Destarte, é necessário que políticas sejam atribuídas para solução desse problema.

Infere-se, portanto, a complexa situação que envolve os obstáculos na doação de órgãos no Brasil. Dessarte, é necessário que o Ministério da Educação, por intermédio dos profissionais da saúde, estabeleça nas escolas públicas e privadas, aulas com a abordagem do tema em sala, tendo em vistas a desconstruir o individualismo, tal qual incentivar a empatia e o altruísmo entre as pessoas, a fim de criar uma sociedade solidária, só assim o país completará as metas atribuídas pela ABTO e alcançará resultados positivos em relação à doação de órgãos.