Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 07/06/2021
Em 2020, a pandemia do novo coronavírus afetou significativamente a doação de órgãos no Brasil. Sendo que, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) a lista de espera chegou a 50 mil pessoas e também houve queda na taxa nacional de doadores. Outrossim, é importante destacar que essa prática também enfrenta problemas estruturais e, ainda, é dificultada por lacunas informacionais. Logo, a conjuntura atual preconizou ainda mais a doação de órgãos no país e reforçou a necessidade de se ampliar a discussão sobre o tema.
Nessa perspectiva, é válido salientar que um dos maiores dilemas da ação de doar vidas é toda a logística que o processo exige. Sabendo que, no caso de doadores falecidos, boa parte dos órgãos tem curto tempo de duração. Ou seja, os profissionais da saúde e o próprio hospital precisam ser qualificados para atender a esses casos diretamente ou viabilizar o transporte do doador. Além disso, as longas filas de espera também demonstram a fragilidade do sistema de doação, como destacado na série “Good girls”, americana, em que a personagem Sarah e seu marido passam logos dias a espera de um rim para a filha, vivendo, dia após dia, o sofrimento da espera e o sentimento de esperança.
Ademais, a ausência de diálogo entre as famílias é um outro dilema que compromete a doação. Isso porque desde 2001, são os familiares do paciente morto que decidem sobre o destino dos órgãos, sendo eles então os responsáveis por autorizar ou não a doação. Dessa forma, a falta de comunicação, somada a falta de esclarecimento sobre a doação de órgãos faz com que muitas famílias recusem o procedimento. O que pode ser movido por uma série de fatores irreais que existem no imaginário popular, como por exemplo, a possibilidade de comércio de órgãos, a desfiguração do cadáver ou até mesmo a crença de que pessoa pode voltar a vida.
Portanto, para melhorar e incentivar a doação de órgãos no país, é viável que o Governo Federal destine verba ao Ministério da Saúde, para que ele em parceria com diversas entidades médicas nacionais promova cursos de capacitação para profissionais da saúde, tendo como objetivo o aperfeiçoamento e qualificação deles para atuarem na área de transplantes. Somado a isso, o Ministério da Saúde também pode destinar parte da verba para melhorar a estrutura de hospitais que já são referência em transplantes, visto que, 96% são realizados pelo SUS. Além disso, é fundamental que a mídia por ser capaz de atingir diversas camadas da sociedade, evidencie o tema da doação de órgãos, por meio de programas da TV aberta, novelas e séries. Desse modo, será possível desmistificar o tema e torná-lo acessível para a conversação entre as famílias, o que contribuirá para a construção de uma sociedade mais altruísta e viva.