Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 07/06/2021
A série televisiva Grey’s Anatomy aborda, em alguns de seus episódios, o drama dos pacientes na fila de espera para os transplantes de órgãos. Fora da ficção, inúmeros pacientes também sofrem com a lentidão nos processos de doação de órgãos, fato que, consequentemente, reflete negativamente na transplantação. Diante disso, fazem-se necessárias medidas que revertam a situação, a qual é agravada devido não só à recusa familiar, como também à falta informação sobre a temática.
Em primeiro lugar, é importante se ater sobre à recusa familiar no que concerne à concessão da doação de órgãos. Nesse contexto, segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), 44% das famílias não liberam a doação de órgãos, este resultado pode ser justificado pela incompreensão da morte encéfalica, a qual segundo o Ministério da Saúde, 28,5% das famílias com potenciais doadores acometidos por morte encefálica são contrárias à doação. Nessa continuidade, ainda não há lei brasileira que assegure, ainda que manifestado em vida, o interesse da pessoa em doars seus órgãos, dependendo, portanto, intrisecamente do cônjugue ou parentes próximos. Desse modo, enquanto persistir a recusa da família, o entrave nos processos de doação de órgão perdurará sobre o País.
Em adição, a carência de conhecimento é um dos grandes obstáculos que impedem os processos de doação de órgãos. Nesse sentido, segundo a pesquisa do Ministério da Saúde no ano de 2018, a falta de conhecimento sobre como são realizados os procedimentos, como também a escassez de diálogo sobre o desejo da doação são grandes problemáticas que impedem a reversão do cenário no País. À vista disso, em decorrência da falta familiaridade com o assunto, o tabu sobre a doação de órgãos torna-se concretizado, o que dificulta, por conseguinte, a permissão familiar acerca da doação de órgãos do ente falecido.
Infere-se, destarte, a necessidade de medidas que cessem os empecilhos da doção de órgãos no País. Para tanto, compete ao Ministério da Saúde - órgão responsável pelas políticas públicas voltadas à saúde -, por meio de amplo debate entre Estado, familiares e profissionais de saúde, introduzir programas nacionais que incentivem a doação de órgãos em todo território, com o fito de conscientizar a população sobre como são feitos os processos de doação, visando, também, a quebra dos tabus e o impacto positivo que a vida de um ente querido pode ocasionar em diversas vidas. Ademais, compete ás redes midiáticas, propiciarem, por meio de anúncios, as promoções do Governo voltados à temática, atingindo, portanto, uma maior parcela da população. Feito isso, o Brasil poderá reverter o cenário vigente.