Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 12/06/2021

Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à saúde e ao bem-estar social. Entretanto, há, no Brasil hodierno, diversos obstáculos para garantir a doação de órgãos. Nesse sentido, pode-se afirmar que escassez de abordagem sobre o assunto e a falta de incentivos governamentais impede que esse direito seja desfrutado na íntegra. Dessa forma, é fundamental buscar a resolução do problema.

Em primeiro plano, é necessário ressaltar que a falta de abordagem sobre a doação de órgãos é um fator que potencializa um déficit no sistema de transplantes, aumentando o número de pessoas na fila de espera. Deve-se pontuar, que as palavras presentes na bandeira o país – ordem e progresso retratam os objetivos de uma nação. Por isso, para que o país possa avançar é imprescindível que ocorra ações baseadas no bem-estar geral. Nesse sentido, mesmo que diversos estudos atuais demonstrem a importância da doação, isso é legitimado pela falta de políticas públicas e sua abordagem no contexto familiar. Por consequência, os cidadãos perdem a oportunidade de se tornar um doador, como mostram os dados do Ministério da Saúde, que o principal motivo para não doação é a negação familiar. Logo, é preciso impedir que tais atitudes persistam.

Ademais, é fundamental ressaltar que a ausência de incentivos para se tornar um doador é um grande agravante do problema. Acerca disso, segundo o filosofo John Rawls, em sua obra “Uma Teoria da Justiça‘’, um governo ético é aquele que disponibiliza recursos financeiros para todos os setores, promovendo uma igualdade equitativa de oportunidades a todos os cidadãos. No entanto, o observado no cenário brasileiro é o oposto: aumento da fila de transplante, visto que existe um descuido em não investir em campanhas que informe aos familiares sobre a importância de se tornar um doador e salvar vidas, muitas vezes, essa ausência de investimento, submete a uma notória subcidadania.

Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a construção de um mundo melhor. Nesse contexto, cabe ao Ministério da Saúde - órgão de alta relevância para o país, garantir à população um sistema digno de saúde, através de verbas governamentais, com um amplo debate sobre o tema, para que possa esclarecer e orientar aos familiares nesse momento tão delicado, no ambiente público e privado, com o intuito de preencher a esperança de quem aguarda nas filas de transplantes. Assim, a partir dessas ações, será possível a construção de uma sociedade brasileira permeada pela efetivação dos elementos elencados na Declaração Universal dos Direitos Humanos.