Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 24/06/2021
“Levo alegria ao povo cantando minhas canções, mas se um dia eu morrer… Doe o meu coração embalado no toque de minha canção e sentirei novamente meu coração bater”. A letra da canção “Doação de Órgão”, da dupla musical Luiz Carlos e Santiago, expressa bem a perspectiva de pensar no próximo e contribuir com a sociedade. Sendo assim, o incentivo à doação de órgãos no Brasil é indispensável, porque essa prática ajuda a salvar vidas, entretanto, pode-se problematizar a qualificação médica e, também, a não permissão familiar para o doário.
A princípio, vale ressaltar que, de acordo com uma publicação da SciELO (Scientific Electronic Library Online), no Brasil, mais de mil pacientes aguardam em fila de espera para a realização de transplantes de órgãos. A partir disso, a qualificação médica é indispensável, pois a complexidade desta modalidade terapêutica exige infraestrutura adequada, preparo especializado e constante da equipe de profissionais de saúde envolvidos no cuidado dos pacientes. Dessa forma, medidas para promover a qualificação médica são necessárias.
Além disso, é válido destacar que, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, a negativa familiar é um dos principais motivos para que um órgão não seja doado. Nesse sentido, mesmo com a autorização no documento do doador, há a necessidade da permissão da família para realizar a doação de órgão no Brasil. Desse modo, é preciso propagar à sociedade a importância dessa prática, porque ela contribui com o desenvolvimento do país, pois conforme o filósofo Immanuel Kant, o princípio da ética é agir de maneira coletiva e universal.
Tendo em vista o que foi discutido, é necessário, portanto, que o Ministério da Educação, em parceria com o da Comunicação, promova campanhas políticas e publicitárias. Para que, dessa maneira, incentive a qualificação médica e propague informações aos familiares a respeito da importância da doação de órgãos, por meio de incentivos financeiros, os quais visem melhorias nas infraestruturas e nos acompanhamentos médicos e, também, em divulgações nos programas de TV, no intuito de informar as pessoas. A fim de que, assim, essa modalidade terapêutica tenha avanços tecnológicos e qualitativos, tal como a família possa ter as mesmas perspectivas da canção “Doação de Órgão”.