Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 27/06/2021
Segundo o artigo 196 da Constituição da República Federativa Brasileira do Brasil, de 1988, a saúde é direito de todos e é dever do Estado garantir políticas sociais e econômicas que visem uma saúde preventiva, de acesso universal e igualitário. Entretanto, no Brasil contemporâneo, há desafios para o aumento da doação de órgãos. Isso se deve à falta de informação e treinamento para o processo de doação e gera um baixo número de doações no país.
Antes de tudo, no que se refere à falta de informação e treinamento para processo de doação, cabe ressaltar que a discussão sobre a morte e doação de órgãos é por muitos considerada um tabu e, consequentemente, é evitada, o que gera um desconhecimento sobre o processo ou sobre o desejo de algum membro da família de doar seus órgãos. Além disso, as equipes médicas, muitas vezes, não são treinadas para abordar as famílias em situações as quais requerem o consentimento para doação dos órgãos. Dessa forma, vale destacar o documentário “Anjos da Vida”, no qual a mãe do paciente afirma que a maneira como foi abordada pela enfermeira foi decisiva para sua aprovação em relação à doação dos órgãos. Tal documentário comprova que a falta de informação e treinamento está diretamente ligada aos desafios para o aumento da doação de órgãos no país.
Ademais, quanto ao baixo número de doações no país, vale ressaltar que o procedimento de doação de órgãos se inicia com o diagnóstico de morte encefálica e o consentimento da família e termina com o transplante no receptor e todo esse processo deve ser realizado em um curto período de tempo, o que requer um grande planejamento, porém a falta de infraestrutura somada à resistência da família culminam em um baixo número de doações no país. Nesse sentido, vale observar que, segundo a Organização Nacional de Transplantes, a Espanha conta com uma taxa de 48 doações por milhão de pessoas, enquanto o Brasil conta com uma taxa de 17. Tais dados explicitam que o baixo número de doações de órgãos no país está diretamente relacionado aos desafios para seu aumento.
Portanto, é de suma importância o aumento da doação de órgãos para que mais pessoas tenham acesso a uma melhor qualidade de vida. Diante disso, essa questão deve ser enfrentada pelos órgãos competentes de maneira eficaz. Assim, cabe ao Ministério da Saúde patrocinar propagandas sobre a importância da doação de órgãos que serão vinculadas às redes sociais, independente do hall de preferências do usuário. Tais propagandas contarão com informações sobre como é realizado processo de doação e também serão responsáveis por mostrar a importância da discussão em família sobre a doação de órgãos. Somente assim, o propósito de aumentar o número de doações será alcançado.